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Morre Rosa Roisinblit, ativista argentina que desafiou a ditadura militar

Rosa Roisinblit, cofundadora das Avós da Praça de Maio, faleceu aos 106 anos, deixando um legado na luta pelos direitos humanos na Argentina

Foto: Reprodução
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  • Rosa Roisinblit, cofundadora e vice-presidente das Avós da Praça de Maio, faleceu aos 106 anos no dia 6 de setembro.
  • Ela foi uma importante defensora dos direitos humanos e buscou seu neto sequestrado durante a ditadura militar argentina.
  • Nascida em 1919, Rosa teve sua filha e genro raptados em 1978. Sua neta foi devolvida, mas a filha, grávida, e o neto foram assassinados.
  • Rosa ajudou a recuperar seu neto, Guillermo, em 2000, um dos 140 filhos sequestrados que foram encontrados pela organização.
  • As Avós da Praça de Maio continuam a lutar para encontrar cerca de 300 crianças ainda desaparecidas, apesar de desafios recentes do governo atual.

Rosa Roisinblit, cofundadora e vice-presidente das Avós da Praça de Maio, faleceu aos 106 anos neste sábado (6). A organização anunciou a perda de uma de suas figuras mais emblemáticas, que dedicou sua vida à luta pelos direitos humanos e à busca por seu neto sequestrado durante a ditadura militar argentina.

Nascida em 1919 em Moises Ville, Rosa era obstetra e, em 1978, sua filha Patricia e seu genro foram raptados por forças da ditadura. Enquanto sua neta Mariana foi devolvida à família, Patricia, grávida de oito meses, foi levada para um centro de detenção, onde deu à luz um bebê que lhe foi retirado. Ambos foram assassinados, e seus corpos nunca foram encontrados.

Rosa Roisinblit foi fundamental na recuperação de seu neto, Guillermo, em 2000, um dos 140 filhos sequestrados pela ditadura que foram encontrados pelas Avós da Praça de Maio. O trabalho da organização resultou na condenação de três militares responsáveis pelo rapto do neto, com penas que variaram de 12 a 25 anos.

As Avós da Praça de Maio, que surgiram em 1977, têm como objetivo encontrar as cerca de 300 crianças ainda desaparecidas, cujos pais foram sequestrados e, em muitos casos, assassinados. A luta por justiça continua, mesmo diante de desafios recentes, como a desclassificação de arquivos de inteligência e a eliminação de unidades que investigam a apropriação de crianças durante a ditadura pelo governo atual.

Em março, o presidente Javier Milei anunciou a desclassificação de documentos relacionados ao regime militar, mas, em agosto, eliminou a unidade da Comissão Nacional pelo Direito à Identidade, alegando que sua atuação prejudicava a separação de poderes. O governo contesta o número de desaparecidos, que é estimado em 30 mil por organizações de direitos humanos, admitindo apenas 8.751.

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