- A demolição da Kathputli art colony em Delhi inspirou a exposição “I Rescued Speed Altogether” do artista Paribartana Mohanty.
- A mostra está em exibição na galeria Shrine Empire e documenta objetos deixados para trás após as demolições.
- O artista foi motivado por seu filho, um sobrevivente de câncer, que expressou alegria ao pedalar sua bicicleta.
- Paribartana Mohanty critica as remoções forçadas de comunidades marginalizadas, que ocorrem frequentemente na Índia.
- A exposição inclui doze pinturas grandes e três obras em movimento, destacando a ausência de figuras humanas e simbolizando os deslocados.
Demolição da Kathputli Colony Inspira Exposição de Artista em Delhi
A demolição da Kathputli art colony, um famoso assentamento de artistas de rua em Delhi, gerou uma nova exposição do artista Paribartana Mohanty. A mostra, intitulada “I Rescued Speed Altogether”, está em exibição na galeria Shrine Empire e apresenta obras que documentam os objetos deixados para trás após as demolições.
A exposição foi inspirada por seu filho, Timeme Mohanty, um sobrevivente de câncer de três anos, que, ao conseguir pedalar sua bicicleta, exclamou que havia “resgatado a velocidade”. Paribartana Mohanty, que passou oito anos documentando as demolições da Kathputli, considera esses atos como “absurdos”. Ele destaca que as remoções forçadas de comunidades marginalizadas para “redevelopment” não são novas na Índia.
A Kathputli Colony, conhecida como um dos maiores assentamentos de artistas de rua do mundo, foi severamente afetada por demolições em 2017. Os moradores alegaram que o processo foi irregular e que a destruição de suas casas comprometeu suas fontes de renda. Muitos foram forçados a se realocar em outras favelas na região.
Impacto das Demolições
O termo “injustiça do bulldozer” tem sido associado a essas demolições, especialmente sob o governo do Bharatiya Janata Party, onde casas de muçulmanos foram demolidas após protestos. Apesar das alegações de que as demolições visam remover ocupações ilegais, grupos de direitos humanos denunciam a prática como uma forma de punição extrajudicial.
As obras de Paribartana Mohanty, que incluem 12 pinturas grandes e três obras em movimento, focam nos objetos deixados para trás, como brinquedos e móveis danificados. A ausência de figuras humanas nas telas é compensada por uma silhueta metálica de um homem, simbolizando os deslocados.
Reconhecimento e Exposição
Culturalmente, a obra de Mohanty é vista como um arquivo contra-visual. O teórico cultural Santhosh Sadanandan ressalta que, em uma sociedade que prioriza a gestão de imagens, os vestígios de destruição não podem ser ignorados. Mohanty utiliza técnicas impressionistas e pontilhistas, buscando fazer com que o público não esqueça os espaços apagados.
Após dificuldades para encontrar uma galeria disposta a expor seu trabalho, a Shrine Empire finalmente acolheu suas obras. A cofundadora Anahita Taneja enfatiza a importância de dar voz a questões contemporâneas, mesmo que inicialmente pareçam não rentáveis. As obras de Mohanty já foram adquiridas por instituições e colecionadores, mostrando que temas sociais podem ressoar com o público.
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