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Itaú utiliza demissões públicas como estratégia para fortalecer sua imagem, dizem especialistas

Itaú Unibanco demite mil funcionários por baixa produtividade no home office, levantando preocupações sobre a cultura organizacional da empresa

Fachada de agência do banco Itaú em São Paulo (Foto: Reprodução)
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  • O Itaú Unibanco demitiu cerca de mil funcionários esta semana devido à baixa produtividade no trabalho remoto.
  • A decisão reacende discussões sobre a cultura organizacional da empresa, sob a liderança do CEO Milton Maluhy.
  • Em dezembro, o banco já havia demitido executivos por questões éticas, incluindo o chefe de marketing e o ex-diretor financeiro.
  • Especialistas alertam que as demissões podem criar uma cultura do medo entre os colaboradores.
  • Apesar das demissões, o banco registrou um lucro líquido de R$ 41,4 bilhões em 2024, o maior da história do setor bancário brasileiro.

O Itaú Unibanco demitiu cerca de mil funcionários esta semana, alegando baixa produtividade no trabalho remoto. Essa decisão reacende discussões sobre a cultura organizacional da instituição, sob a liderança do CEO Milton Maluhy, que já havia promovido cortes por questões éticas e de desempenho.

Em dezembro, o banco desligou o chefe de marketing, Eduardo Tracanella, por uso indevido de cartão corporativo, e o ex-diretor financeiro, Alexsandro Broedel, por violação de políticas internas. Broedel nega as acusações e a disputa segue na Justiça. Em 2023, o Itaú também demitiu 80 funcionários por fraudes em planos de saúde e 50 por recebimento indevido de auxílio emergencial.

A comunicação das demissões é vista como uma estratégia para reforçar a cultura da empresa. Luciana Lima, especialista em gestão de pessoas, afirma que a transparência nas dispensas visa consolidar a confiança com stakeholders. O banco enviou um comunicado aos colaboradores enfatizando pilares como ética e autonomia, destacando que atitudes inadequadas prejudicam o ambiente de trabalho.

Cultura do Medo

Especialistas apontam que a recente onda de demissões pode criar uma cultura do medo. Alexandre Di Miceli da Silveira, doutor em administração, observa que a vigilância constante e a punição de funcionários, mesmo aqueles com bom desempenho, podem gerar insegurança. Em contrapartida, a alta procura por vagas no banco, com 105 mil inscritos para 30 posições no programa de trainee, demonstra a atratividade da instituição.

A estratégia de Maluhy, que está no Itaú há 23 anos, é respaldada por resultados financeiros positivos. Em 2024, o banco registrou um lucro líquido de R$ 41,4 bilhões, o maior da história do setor bancário brasileiro. A participação das famílias fundadoras na administração é vista como um fator que contribui para o sentimento de pertencimento entre os funcionários, agora chamados de “itubers”.

O Itaú busca alinhar seus colaboradores aos seus valores, reforçando que resultados não são suficientes se não estiverem em conformidade com a cultura da empresa. A mensagem é clara: a gestão responsável é fundamental para manter a confiança com clientes e colaboradores.

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