- O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) pretende retomar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para alterar o artigo 142 da Constituição brasileira.
- A proposta visa eliminar interpretações que permitem a atuação política das Forças Armadas, especialmente após a polarização política durante o governo de Jair Bolsonaro.
- O artigo 142 estabelece que as Forças Armadas devem defender a Pátria e garantir os poderes constitucionais, mas sua interpretação como poder moderador se intensificou.
- Zarattini enfrenta dificuldades para conseguir as 171 assinaturas necessárias, contando atualmente com cerca de 130. A resistência da extrema-direita e a influência do Centrão dificultam a mobilização.
- O deputado destaca que o momento político atual, marcado por discussões sobre anistia a golpistas, não favorece a busca por novas assinaturas.
O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) anunciou a intenção de retomar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa alterar o artigo 142 da Constituição brasileira. O objetivo é eliminar interpretações que permitem a atuação política das Forças Armadas, especialmente após a polarização política acentuada durante o governo de Jair Bolsonaro.
O artigo 142 estabelece que as Forças Armadas têm a função de defender a Pátria e garantir os poderes constitucionais. No entanto, a interpretação de que esse dispositivo conferiria aos militares um papel de poder moderador ganhou força durante o bolsonarismo, gerando preocupações sobre a politicização das Forças Armadas. Zarattini destaca que a condenação de figuras centrais do movimento golpista, incluindo Bolsonaro, reforça a necessidade de uma nova redação para o artigo.
Desafios para a PEC
Entretanto, o deputado enfrenta desafios significativos para avançar com a proposta. Para que a PEC seja apresentada, são necessárias 171 assinaturas de apoio entre os 513 deputados, mas Zarattini estima contar apenas com cerca de 130 signatários até o momento. A resistência de setores da extrema-direita e a influência do Centrão, que muitas vezes se comporta como “refém” do bolsonarismo, dificultam a mobilização necessária.
Zarattini também observa que o atual momento político, marcado por discussões sobre anistia a golpistas, não é propício para acelerar a busca por novas assinaturas. Ele enfatiza a importância de deixar claro que os militares não devem ter participação no processo político. Caso consiga as assinaturas necessárias, a PEC seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça, e posteriormente para o plenário, onde precisará de ao menos 308 votos em dois turnos para avançar ao Senado.
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