- A Polícia Federal desmantelou uma fábrica clandestina de fuzis AR-15 em Santa Bárbara D’Oeste, São Paulo, em 21 de agosto.
- A operação revelou um esquema de industrialização do crime organizado, com máquinas que produzem armamentos em larga escala.
- No dia seguinte, em São Roque, a PF e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado localizaram um arsenal avaliado em R$ 1 milhão, com uma centena de armas e munições.
- A investigação começou após o monitoramento de Janderson Azevedo, que transportava armas para facções criminosas.
- A flexibilização das regras para obtenção de certificados de colecionadores e caçadores contribuiu para o aumento do tráfico de armas no Brasil.
A Polícia Federal (PF) desmantelou uma fábrica clandestina de fuzis AR-15 em Santa Bárbara D’Oeste, São Paulo, em 21 de agosto. A operação revelou um sofisticado esquema de industrialização do crime organizado, com máquinas de alta tecnologia que poderiam produzir armamentos em larga escala.
No dia seguinte, em São Roque, a PF e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) localizaram um arsenal avaliado em R$ 1 milhão, contendo uma centena de armas, incluindo fuzis e munições. A descoberta indica uma mudança significativa na dinâmica do tráfico de armas no Brasil, com a produção local de armamentos para facções criminosas.
A investigação começou após a PF monitorar o operador de máquinas Janderson Azevedo, que, durante os fins de semana, transportava caixas do galpão para outro local em Americana. A abordagem da Polícia Militar resultou na apreensão de 40 fuzis AR-15 e na prisão de Janderson e seu colega Anderson Gomes. A suspeita é que as armas fossem destinadas a facções em São Paulo e no Rio de Janeiro.
A Indústria do Crime
Estudiosos apontam que a flexibilização das regras para a obtenção de certificados de colecionadores e caçadores (CAC) contribuiu para o aumento do tráfico de armas. Em 2018, havia 117 mil certificados; atualmente, o número se aproxima de 1 milhão. A mudança nas regras, promovida pelo governo anterior, facilitou a aquisição de armamentos, que agora são desviados para o crime organizado.
A PF também encontrou um arsenal de munições em São Roque, onde o engenheiro Wilson Guzzon, suspeito de fornecer armas ao PCC, tinha um grande estoque. Guzzon, que possui 40 armas legalizadas, é acusado de operar uma fábrica clandestina de munições, com mais de uma tonelada de pólvora e equipamentos para recarga.
As autoridades alertam que a produção local de armamentos, como as “ghost guns”, que são mais difíceis de rastrear, representa um novo desafio no combate ao tráfico de armas. O estado do Rio de Janeiro, que concentra 43% das apreensões de fuzis no Brasil, continua a ser um foco crítico na luta contra a violência armada.
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