- O estado do Rio de Janeiro registrou mais de 1,2 milhão de ocorrências online entre janeiro de 2022 e julho de 2023, representando 40,3% do total.
- A facilidade de registrar crimes pela internet atrai vítimas, mas gera preocupações nas delegacias, como sobrecarga de trabalho e aumento de falsos relatos.
- A delegada Raíssa Celles alerta que muitos registros são feitos apenas para obter documentos para seguros, resultando em investigações desnecessárias.
- Casos como homicídios e roubos a banco ainda exigem registro presencial, enquanto os delitos mais comuns incluem furto de celulares e estelionato.
- Especialistas pedem melhorias no sistema de registro online para torná-lo mais intuitivo e incentivar a comunicação de crimes.
Cresce o registro de crimes online no Rio de Janeiro, mas desafios persistem
O estado do Rio de Janeiro registrou mais de 1,2 milhão de ocorrências online entre janeiro de 2022 e julho de 2023, representando 40,3% do total. A facilidade de registrar crimes pela internet tem atraído vítimas, mas também gerado preocupações nas delegacias.
Camilla Peçanha, de 26 anos, foi assaltada em São Gonçalo e optou por registrar o crime online. Para ela, a praticidade foi um ponto positivo, embora não tenha recebido retorno da polícia. Após o registro, a ocorrência é encaminhada a uma delegacia, onde um policial pode validar a comunicação ou solicitar mais informações presencialmente.
Entretanto, a delegada Raíssa Celles, do Departamento Geral de Polícia da Capital (DGPC), alerta que o aumento dos registros online tem sobrecarregado as delegacias. Muitas comunicações são feitas apenas para obter documentos para acionar seguros, resultando em investigações desnecessárias. “A facilidade de acesso fez com que recebêssemos muitas situações que nem são crimes”, afirma Celles.
Limitações e dificuldades
Embora muitos crimes possam ser registrados online, casos como homicídios e roubos a banco ainda exigem presença física. Os delitos mais comuns reportados incluem furto ou roubo de celulares e estelionato. A secretária paroquial Millena Morais, vítima de um golpe ao tentar comprar ingressos, encontrou dificuldades ao tentar registrar a ocorrência online. “O sistema pedia tantas informações que acabei desistindo”, relata.
Além disso, o registro online também tem sido alvo de abusos. Golpistas comunicam falsas ocorrências para obter vantagens financeiras. Um caso notório envolve uma mulher que fez cerca de dez registros em um mês, alegando roubos de objetos de valor. A polícia consegue identificar essas fraudes durante as investigações, e os responsáveis podem ser indiciados por falsa comunicação de crime.
Aperfeiçoamento necessário
A especialista em segurança pública Joana Monteiro destaca a importância de aprimorar o sistema de registro online. “Esses dados são relevantes para o planejamento e para o entendimento da violência”, afirma. Um sistema mais intuitivo é crucial para incentivar a comunicação de crimes, garantindo que mais pessoas se sintam à vontade para registrar ocorrências.
Para registrar um crime online, o usuário deve acessar o site da Polícia Civil, onde é necessário ter 18 anos, CPF, e um e-mail válido. Após seguir as orientações, o registro será validado ou o usuário será chamado para fornecer mais informações na delegacia.
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