- O governo espanhol anunciou a desconexão tecnológica da indústria militar de Israel devido ao conflito em Gaza, gerando preocupações no Ministério da Defesa.
- A decisão afeta a formação de pilotos de combate e resulta na anulação da compra de 1.680 mísseis Spike LR2.
- A formação de pilotos, que utiliza caças F-5, está em risco, pois esses aviões dependem de tecnologia israelense.
- O Ministério da Defesa busca alternativas, como a aquisição do modelo turco Hürjet, com previsão de entrega entre 2028 e 2031.
- O governo já cancelou contratos com empresas israelenses, totalizando quase R$ 1 bilhão, e busca fornecedores europeus e nacionais para minimizar impactos nas operações militares.
O governo espanhol anunciou a desconexão tecnológica da indústria militar de Israel, em resposta ao conflito em Gaza, o que gerou preocupações significativas no Ministério da Defesa. Essa decisão impacta diretamente a formação de pilotos de combate e a aquisição de armamentos, incluindo a anulação da compra de 1.680 mísseis Spike LR2.
A formação de pilotos de caça, crucial para a Força Aérea, está ameaçada, pois os cazas F-5, utilizados para treinamento, dependem de tecnologia israelense. Esses aviões, com quase 50 anos de uso, foram modernizados pela Israel Aerospace Industries (IAI), que fornece suporte técnico e peças de reposição. Sem essa assistência, a continuidade das operações dos F-5 se torna insustentável.
Para contornar a situação, o Ministério da Defesa já iniciou a aquisição do modelo turco Hürjet como substituto para a formação, com a expectativa de receber entre 28 e 30 unidades até 2031. No entanto, os primeiros seis aviões só devem chegar em 2028, o que gera incertezas sobre a formação de novos pilotos.
Alternativas e Desafios
Além da formação, a anulação da compra dos mísseis Spike representa um desafio significativo. O contrato, avaliado em 287,5 milhões, foi cancelado, e o governo busca alternativas. Uma possibilidade é que a empresa Indra adquira a Pap Tecnos para fabricar o missile em território espanhol. Caso essa opção não se concretize, o Exército poderá ter que recorrer a armamentos internacionais, como o Javelin ou o Akeron, que não possuem a mesma eficácia.
O Ministério da Defesa também está explorando alternativas para o Sistema de Lanzacohetes de Alta Mobilidade (SILAM), que foi adjudicado a um projeto que envolve tecnologia israelense. A intenção é desenvolver um sistema nacional, embora isso exija um programa de Pesquisa e Desenvolvimento, o que pode atrasar a implementação.
Desvinculação e Custos
O governo afirma que já se desvinculou de contratos com empresas israelenses, totalizando quase 1.000 milhões em valores cancelados. A secretaria de Estado de Defesa, Amparo Valcarce, reconhece que alcançar a dependência zero da indústria militar israelense terá um custo, mas é uma medida necessária para manter a coerência política, especialmente após as declarações do presidente Pedro Sánchez sobre a situação em Gaza.
Apesar das dificuldades, o Ministério da Defesa está focado em garantir que a transição para fornecedores europeus e espanhóis ocorra de forma eficaz, minimizando o impacto nas operações militares.
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