- A Polícia Federal investiga o escritório de advocacia de Carlos Vieira Filho, filho do presidente da Caixa Econômica Federal, por suposta intermediação de pagamentos de propina.
- O esquema de corrupção está ligado à Aiga Mineração e surgiu após a prisão do diretor da Agência Nacional de Mineração, Caio Mário Seabra, na Operação Rejeito.
- O escritório de Vieira Filho, Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, é acusado de facilitar a concessão de licenças ambientais fraudulentas em favor da Aiga.
- Um contrato entre a Aiga e o escritório previa R$ 300 mil de pró-labore e R$ 2,7 milhões em honorários, condicionados a uma decisão favorável da ANM.
- A investigação revela que o escritório não protocolou documentos em favor da Aiga durante o processo, levantando suspeitas sobre a legalidade do acordo.
A Polícia Federal (PF) investiga o escritório de advocacia de Carlos Vieira Filho, filho do presidente da Caixa Econômica Federal, por suposta intermediação de pagamentos de propina em um esquema de corrupção ligado à Aiga Mineração. Os indícios surgiram após a prisão do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Caio Mário Seabra, na Operação Rejeito, realizada na última quarta-feira, 17 de outubro.
Os investigadores apontam que o escritório de Vieira Filho, Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, teria facilitado a concessão de licenças ambientais fraudulentas em favor da Aiga, que disputava direitos sobre rejeitos de uma mina em Ouro Preto (MG) com a Vale. Mensagens obtidas pela PF revelam que Seabra teria atuado diretamente para beneficiar a mineradora, contrariando pareceres técnicos que favoreciam a Vale.
Contrato Suspeito
O contrato entre a Aiga e o escritório previa um pagamento de R$ 300 mil de pró-labore e R$ 2,7 milhões em honorários, condicionados a uma decisão favorável da ANM. No entanto, o acordo foi assinado apenas dez dias após a decisão que já havia beneficiado a Aiga. Para a PF, isso levanta suspeitas de que os valores foram direcionados como vantagem indevida a Seabra.
Além disso, a PF identificou que o escritório de Vieira Filho não protocolou documentos em favor da Aiga durante o processo na ANM. As mensagens trocadas entre os líderes do esquema indicam que eles planejavam elaborar peças jurídicas para o escritório, mesmo após a decisão favorável já ter sido tomada.
Implicações e Reações
A investigação também destaca a relação de Carlos Vieira Filho com figuras influentes, como a advogada Camilla Ewerton Ramos, esposa de um desembargador do Tribunal Regional Federal. O pai de Carlos, funcionário de carreira da Caixa, foi indicado para a presidência do banco em outubro de 2023, mantendo-se no cargo apesar das tensões políticas.
Carlos Vieira Filho não se manifestou sobre as acusações até o fechamento desta reportagem. A PF continua a apurar os desdobramentos do caso, que envolve um esquema complexo de corrupção no setor de mineração.
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