- O piloto Mauro Mattosinho declarou à Polícia Federal que Antônio Rueda, presidente do União Brasil, é um dos supostos proprietários de jatos executivos usados em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
- Mattosinho afirmou que Rueda era mencionado como um dos principais financiadores da compra de aeronaves avaliadas em milhões de dólares.
- Rueda negou as acusações, afirmando que repudia tentativas de associação a atividades ilícitas e que nunca participou da compra de aeronaves.
- O depoimento do piloto incluiu informações sobre o transporte de líderes do PCC e a observação de uma sacola que parecia conter dinheiro vivo durante um voo.
- A investigação revelou que aeronaves atribuídas a Rueda pertencem a fundos de investimento com controladores não identificados publicamente.
Um depoimento do piloto Mauro Mattosinho à Polícia Federal revelou que o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, é um dos supostos donos de jatos executivos utilizados em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC. Mattosinho, que transportava frequentemente líderes do esquema, afirmou que Rueda era mencionado como um dos principais financiadores da compra de aeronaves avaliadas em milhões de dólares.
O piloto, que trabalhou na TAP (Taxi Aéreo Piracicaba), disse que Rueda era conhecido por ter “muito dinheiro que precisava gastar”. Em resposta, Rueda negou qualquer envolvimento, afirmando que repudia tentativas de associá-lo a atividades ilícitas e que nunca participou da compra de aeronaves. Ele alegou que costuma viajar em voos comerciais e que já fretou aeronaves apenas como convidado.
Detalhes do Depoimento
Mattosinho, que deixou a TAP recentemente, revelou ter transportado os foragidos Mohamad Hussein Mourad, conhecido como Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, em diversas ocasiões. A operação da PF que investiga o esquema ocorreu após uma viagem ao Uruguai, onde ele transportou parentes de Beto Louco. O piloto também mencionou ter visto uma sacola que parecia conter dinheiro vivo durante um voo.
A investigação revelou que duas aeronaves atribuídas a Rueda pertencem a fundos de investimento com controladores não identificados publicamente. Além disso, uma terceira aeronave está registrada em nome de uma empresa de Imperatriz (MA), cuja sócia afirmou desconhecer a firma e a aeronave.
Aeronaves e Negociações
Mattosinho afirmou que Rueda tinha interesse em adquirir um Gulfstream 550, um jato de luxo com preço inicial de US$ 10 milhões. O piloto não soube informar se a negociação foi concretizada. O jato foi colocado à venda em julho, mas não está mais disponível.
Rueda comemorou seu aniversário em agosto na Grécia, onde um Gulfstream foi monitorado viajando de Brasília para Mykonos. Ele afirmou ter viajado em voo comercial para a Grécia, negando qualquer relação com a aeronave mencionada por Mattosinho.
A TAP, administrada por Epaminondas Chenu Madeira, negou qualquer declaração de funcionários sobre a aquisição de aeronaves e afirmou que não tinha conhecimento do envolvimento de investigados na operação. A empresa também ressaltou que não pode divulgar informações sobre clientes sem autorização.
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