- Líderes mundiais concordaram em revisar a política global de drogas na 68ª sessão da Comissão de Narcóticos da Organização das Nações Unidas (ONU) em Viena.
- A Colômbia lidera essa iniciativa, mas enfrenta desafios após ser desclassificada pelos Estados Unidos como parceira de controle de drogas.
- O consumo de drogas atingiu 316 milhões de pessoas em 2023, um aumento de 22% em dez anos. A Colômbia é responsável por 67% da cocaína mundial, com a produção de coca crescendo 266% entre 2014 e 2023.
- O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, propõe a legalização da cocaína e a remoção da folha de coca da lista de narcóticos da ONU, mas enfrenta críticas e pressões dos EUA.
- Apesar da desclassificação, a Colômbia busca reformas e discute a descriminalização de drogas, com um painel de especialistas da ONU previsto para iniciar discussões em 2026.
Revisão da Política Global de Drogas
Líderes mundiais, durante a 68ª sessão da Comissão de Narcóticos da ONU em Viena, concordaram em revisar a política global de drogas, dominada pela Guerra às Drogas dos EUA. A Colômbia, que lidera essa iniciativa, enfrenta desafios após a recente desclassificação pelos EUA como parceira de controle de drogas.
A produção e o consumo de drogas atingem níveis recordes, com 316 milhões de pessoas consumindo substâncias ilegais em 2023, um aumento de 22% em relação a uma década atrás. A Colômbia, responsável por 67% da cocaína mundial, viu a cultivação de coca crescer 266% entre 2014 e 2023, segundo a ONU.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, tem defendido uma abordagem progressista, propondo a legalização da cocaína e a remoção da folha de coca da lista de narcóticos da ONU. No entanto, sua administração enfrenta críticas internas e externas, especialmente após a decertificação dos EUA, que alegou falhas nas ações de combate às drogas.
Desafios e Oportunidades
Apesar da desclassificação, a Colômbia continua a buscar reformas. O painel de 19 especialistas criado pela resolução da ONU pode ser um ponto de inflexão, com discussões sobre a descriminalização de drogas começando em 2026. Petro, que já promoveu conferências sobre redução de danos, enfrenta uma relação tensa com os EUA, que ainda são um importante aliado militar e financeiro.
Petro também tem enfrentado desafios internos, como escândalos pessoais e uma queda em sua popularidade, que está em torno de 30%. Sua administração, que inicialmente evitou a erradicação de cultivos, agora reverte para métodos tradicionais, como programas de substituição de culturas e até mesmo a reintrodução da fumigação de coca.
O Futuro da Política de Drogas
A pressão dos EUA e a resistência de estados proibicionistas dificultam a implementação de políticas mais liberais. No entanto, a crescente insatisfação com as políticas atuais pode abrir espaço para mudanças. A Colômbia, ao se posicionar como uma voz moral na discussão, busca não apenas a reforma interna, mas também influenciar a política global.
Embora a situação seja complexa, a revisão da política de drogas pela ONU representa uma oportunidade significativa para repensar abordagens que, até agora, mostraram-se ineficazes. O futuro da política de drogas na Colômbia e no mundo dependerá da capacidade de líderes como Petro de navegar entre pressões internas e externas, buscando um equilíbrio que promova a saúde pública e a segurança.
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