- Irfaan Ali foi reeleito presidente da Guiana em 1º de setembro, liderando o Partido Progressista do Povo (PPP), que conquistou 36 das 65 cadeiras no legislativo.
- O país está passando por um crescimento econômico significativo devido às receitas de petróleo, com um total estimado de 11 bilhões de barris recuperáveis.
- O Produto Interno Bruto (PIB) da Guiana quintuplicou nos últimos cinco anos, mas a pobreza e a infraestrutura precária ainda são desafios.
- As receitas do petróleo devem chegar a cerca de US$ 2,5 bilhões este ano e podem alcançar US$ 10 bilhões até 2030.
- A política interna é complexa, com a ascensão do partido Win, liderado por Azruddin Mohamed, e tensões territoriais com a Venezuela.
A Guiana, ex-colônia britânica, passou por um momento decisivo em sua história política. Em 1º de setembro, Irfaan Ali foi reeleito presidente, liderando o Partido Progressista do Povo (PPP), que ampliou sua maioria no legislativo, conquistando 36 das 65 cadeiras. O resultado, divulgado em 6 de setembro após uma contagem cuidadosa, sinaliza um novo capítulo para a nação.
A Guiana está experimentando um crescimento econômico sem precedentes, impulsionado por receitas significativas de petróleo. Desde 2019, a nação começou a explorar um total estimado de 11 bilhões de barris recuperáveis, com a ExxonMobil à frente do consórcio. O PIB do país quintuplicou nos últimos cinco anos, segundo o FMI, mas a realidade nas ruas de Georgetown ainda reflete desafios, como infraestrutura precária e pobreza persistente.
Em seu discurso de posse, Ali destacou que seu segundo mandato será o mais importante da história da Guiana. A expectativa é que as receitas do petróleo alcancem cerca de US$ 2,5 bilhões este ano e cheguem a US$ 10 bilhões até 2030, o que representa US$ 20 mil por eleitor. O embaixador da Guiana na Bélgica, Sasenarine Singh, acredita que essa riqueza pode tirar a população da pobreza, mas alerta sobre os riscos da “maldição dos recursos”.
A Guiana busca aprender com os erros de outros países ricos em petróleo. Para isso, criou um fundo soberano de US$ 3,6 bilhões, que visa estabilizar a economia e evitar gastos públicos voláteis. No entanto, a política interna é complexa, com o surgimento do partido Win, liderado por Azruddin Mohamed, que agora é a principal oposição. Mohamed, apesar de enfrentar sanções dos EUA, se apresenta como um benfeitor.
A divisão racial na política guianense também é um fator a ser considerado. O apoio ao PPP é predominantemente da comunidade indiana-guianense, enquanto o PNCR atrai eleitores afro-guianenses. A ascensão de Mohamed pode complicar ainda mais essa dinâmica. Além disso, a Guiana enfrenta tensões territoriais com a Venezuela, que reivindica parte de seu território, aumentando a necessidade de apoio internacional, especialmente dos Estados Unidos.
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