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Inteligência artificial não substitui jornalistas em situações de conflito, afirma diretor

A diretoria reafirma o compromisso com a qualidade da informação e a neutralidade em meio à polarização política na Espanha.

Diretor de EL PAÍS e jornalista durante encontro com assinantes na sede do diário em Madrid (Foto: Reprodução)
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  • O diretor de EL PAÍS, Jan Martínez Ahrens, destacou a importância do jornalismo em tempos de desinformação durante um encontro com assinantes em Madrid.
  • Ahrens afirmou que os assinantes são “os verdadeiros donos da informação” e enfatizou a necessidade de manter a qualidade e a independência do jornal.
  • Ele abordou a polarização política na Espanha, mencionando a ascensão da ultradireita e a importância do EL PAÍS em promover reflexão e informação de qualidade.
  • O uso da tecnologia, especialmente a inteligência artificial, foi discutido, mas Ahrens ressaltou que a presença do jornalista é insubstituível em situações críticas.
  • O diretor previu um futuro promissor para a edição impressa do EL PAÍS, apesar da queda nas vendas, e reafirmou o compromisso do jornal com a democracia e valores sociais.

Durante um encontro com assinantes, o diretor de EL PAÍS, Jan Martínez Ahrens, enfatizou a importância do jornalismo em tempos de desinformação. O evento, realizado na sede do jornal em Madrid, marcou sua primeira aparição pública desde que assumiu o cargo em junho. Ahrens afirmou que os assinantes são “os verdadeiros donos da informação” e destacou a necessidade de manter a qualidade e a independência do jornal.

Ahrens abordou a polarização política na Espanha, mencionando o crescimento da ultradireita, representada pelo partido Vox. Ele expressou preocupação com a ascensão de movimentos que se alimentam de um passado autoritário e da retórica violenta. O diretor ressaltou que, em um ambiente de radicalização, o papel do EL PAÍS deve ser o de promover a reflexão e a informação de qualidade, mantendo-se neutro em relação a partidos, mas comprometido com causas democráticas.

O uso da tecnologia, especialmente da inteligência artificial, também foi tema da discussão. Ahrens afirmou que, embora a tecnologia possa auxiliar na cobertura de certos temas, como informações financeiras, nada substitui a presença do jornalista em situações críticas, como a cobertura de guerras. Ele citou o trabalho de correspondentes em áreas de conflito, como Gaza, onde a experiência humana é insubstituível.

Ahrens recordou a colaboração histórica do EL PAÍS com o WikiLeaks, que resultou na divulgação de documentos confidenciais do Departamento de Estado dos EUA em 2010. Essa experiência, segundo ele, exemplifica a importância de fontes confiáveis e do rigor jornalístico. O diretor também comentou sobre a linha editorial do jornal, que permanece consistente desde sua fundação, mas que pode ser influenciada por novas sensibilidades e interesses.

O futuro da edição impressa do EL PAÍS foi outro ponto abordado. Ahrens previu um futuro promissor para o formato, apesar da queda nas vendas, destacando que a curva de declínio está começando a se estabilizar. Ele acredita que o jornal continuará a ser uma referência na mídia espanhola, defendendo a democracia e promovendo valores sociais relevantes, como a igualdade e a justiça econômica.

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