- O Mütter Museum, em Filadélfia, passou por mudanças após a polêmica de 2023 sobre repatriação de restos indígenas, com remoção de conteúdos online pela gestão anterior.
- Sob nova liderança, Erin McLeary e Sara Ray implementaram uma política de exibição de restos humanos centrada na contextualização e em diretrizes de museus.
- O Postmortem Project, lançado nesse processo, envolveu revisão e engajamento comunitário para definir que histórias e informações devem constar no museu.
- De-anonimização: o museu identificou cerca de 5% dos restos humanos, conectando-os a indivíduos específicos para humanizar as coleções.
- 101 convites foram enviados a comunidades nativas para discussões sobre repatriação, com abordagem gradual e comunicação constante, visando devolver os restos aos locais de origem.
O Mütter Museum, em Filadélfia, passou por uma transformação significativa após um período conturbado em 2023, marcado por uma polêmica sobre a repatriação de restos indígenas. Sob nova liderança, o museu anunciou uma nova política para a exibição de restos humanos, prevendo um enfoque mais ético e respeitoso.
A gestão anterior enfrentou críticas severas após a publicação de uma investigação que revelou a má administração de restos de ao menos 52 nativos americanos, em desacordo com a Native American Graves Protection and Repatriation Act (Nagpra). Em uma tentativa de limpar a imagem, a ex-diretora executiva Kate Quinn ordenou a remoção de conteúdos online, o que gerou descontentamento e mobilização pública. Mais de 30 mil pessoas assinaram uma petição contra as decisões tomadas.
Nova Liderança e Diretrizes
Atualmente, o museu é dirigido por Erin McLeary e Sara Ray, que implementaram uma nova política de exibição, focando na contextualização dos restos humanos. Ray destacou que a mudança visa não apenas a educação sobre anatomia, mas também sobre a história dos indivíduos representados. A nova abordagem é baseada em diretrizes rigorosas de instituições de museus e reconhece o impacto histórico da coleta de restos humanos.
O Postmortem Project, uma iniciativa que envolveu um processo de revisão e engajamento comunitário, foi fundamental para moldar essa nova política. O projeto busca entender quais histórias e informações o público deseja ver no museu, resultando em um pedido claro por transparência e contexto.
De-Anonimização e Repatriação
Uma das inovações mais notáveis é o processo de de-anonimização, que já conseguiu identificar cerca de 5% dos restos humanos do museu, ligando-os a indivíduos específicos. Essa iniciativa visa humanizar as coleções e proporcionar uma narrativa mais rica sobre as vidas dessas pessoas.
Além disso, o Mütter Museum está ativamente consultando comunidades nativas, enviando 101 convites para discussões sobre a repatriação de ancestrais. McLeary enfatizou que o processo é gradual e requer comunicação constante, mas o museu está comprometido em devolver os restos a seus locais de origem.
Com essas mudanças, o Mütter Museum espera não apenas restaurar sua reputação, mas também enriquecer a experiência de seus visitantes, oferecendo uma narrativa mais completa e respeitosa sobre sua coleção.
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