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Mariana na Amazônia revela novos desafios

ONU recebe denúncia de emergência socioambiental sobre Colíder; pede desativação imediata, auditoria independente e plano de descomissionamento com participação das comunidades

Fragilidade. O documento incorpora uma investigação do Ministério Público e aponta falhas na manutenção da usina. Os Munduruku dependem do rio para sobreviver – Imagem: UHE Colíder/GOVMT e Caio Mota/Coletivo Proteja
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  • Entidades civis enviaram à Organização das Nações Unidas (ONU) uma denúncia classificando a situação da usina de Colíder, em Mato Grosso, como emergência socioambiental e pedindo desativação imediata, auditoria independente e plano de descomissionamento com participação das comunidades afetadas.
  • O documento afirma risco iminente de rompimento e destaca impactos catastróficos e violação de direitos, afetando milhares de pessoas e ecossistemas vitais.
  • A denúncia é assinada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens de Mato Grosso, pelo Instituto Coletivo Proteja e pela Associação Indígena DACE, entre outros, e é dirigida ao relator especial da ONU, Pedro Arrojo-Agudo.
  • Relatórios técnicos apontam falhas no sistema de drenagem da barragem, com erosão interna e rompimento de drenos; vinte e seis tubos de drenagem estavam com problemas em vistoria recente (14 sem medidores de pressão e cinco rompidos) e a Zona de Autossalvamento está incompleta.
  • Medidas requeridas incluem estudo técnico sobre a viabilidade da desativação, plano de reparação dos danos socioambientais e reconhecimento da situação como negligência estatal e exploração pelo setor elétrico, citando impactos em mais de duzentas famílias, mortandade de peixes e aumento da violência na região.

A usina hidrelétrica de Colíder, localizada em Mato Grosso, enfrenta uma grave crise, com risco iminente de rompimento. O alerta foi enviado por entidades civis à ONU, que solicitam desativação imediata, auditoria independente e um plano de descomissionamento. O documento destaca que a situação configura uma emergência socioambiental, ameaçando a vida de milhares de pessoas e a integridade de ecossistemas vitais.

A denúncia é resultado da mobilização do Movimento dos Atingidos por Barragens de Mato Grosso, do Instituto Coletivo Proteja e da Associação Indígena DACE, entre outros. A carta foi endereçada a Pedro Arrojo-Agudo, relator especial da ONU, e menciona que a usina já apresenta problemas estruturais que podem levar a um desastre em efeito dominó, afetando outras hidrelétricas da região.

Impactos Sociais e Ambientais

Relatórios técnicos indicam falhas críticas no sistema de drenagem da barragem, como erosão interna e rompimento de drenos. Durante uma vistoria recente, 14 dos 70 tubos de drenagem estavam sem medidores de pressão e cinco estavam rompidos. A Zona de Autossalvamento, necessária em caso de emergência, está incompleta, aumentando ainda mais os riscos.

A construção da usina resultou em violações sistemáticas de direitos de comunidades locais, incluindo povos indígenas e pescadores. Os impactos econômicos são significativos, com mais de 200 famílias de agricultores sem indenizações justas. Além disso, a degradação ambiental tem levado à mortandade de peixes e à ameaça a espécies ameaçadas.

Estudos indicam ainda um aumento da violência na região, com um crescimento nos índices de homicídios e agressões após a instalação do complexo hidrelétrico. As entidades denunciam que a narrativa de desenvolvimento prometida pelas hidrelétricas não se concretizou, deixando um rastro de impactos sociais e ambientais.

Medidas Requeridas

As organizações civis exigem que o governo brasileiro tome medidas imediatas para garantir a segurança das populações afetadas. A recomendação inclui a elaboração de um estudo técnico para avaliar a viabilidade da desativação da usina, além de um plano de reparação dos danos socioambientais. A situação da usina de Colíder é um retrato da negligência do Estado brasileiro e da exploração por parte do setor elétrico, alertam as entidades.

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