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Extrema direita alemã dita agenda enquanto opositores ampliam suas ideias

Estudo europeu analisa 520,408 artigos de seis jornais alemães e conclui que partidos tradicionais definem a agenda, legitimam a extrema direita e influenciam eleitores na Europa

Even criticism of far-right positions by mainstream politicians lends attention and credibility to them, say the researchers.
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  • Nova pesquisa analisou 520 mil artigos de seis jornais alemães ao longo de mais de duas décadas e foi publicada no European Journal of Political Research.
  • O estudo mostra que partidos tradicionais ajudam a definir a agenda da extrema-direita, legitimam ideias extremistas e influenciam eleitores em toda a Europa.
  • Desde o final dos anos noventa, a extrema-direita saiu de questões marginais para temas centrais, como migração e integração, levando partidos mainstream a adaptar mensagens.
  • Mesmo quando criticam a extrema-direita, partidos tradicionais acabam dando visibilidade a essas ideias; a atenção recebida é considerada crucial para o desempenho eleitoral da extrema-direita, dizem os co-autores Teresa Völker e Daniel Saldivia Gonzatti.
  • O impacto não se restringe à Alemanha: Reino Unido e França também apresentam uso da linguagem da extrema-direita; a oposição é mais suscetível a essa influência, e, se permanecer, pode afetar a democracia europeia, com necessidade de que os partidos tradicionais construam narrativas próprias.

A normalização das pautas da extrema-direita na política alemã tem ganhado destaque, segundo uma nova pesquisa que analisou 520 mil artigos de seis jornais ao longo de mais de duas décadas. O estudo, publicado no *European Journal of Political Research*, revela que partidos tradicionais estão permitindo que a extrema-direita defina a agenda política, o que pode impactar a percepção dos eleitores em toda a Europa.

Os pesquisadores do Centro de Ciências Sociais de Berlim descobriram que, desde o final dos anos 1990, a extrema-direita passou de questões marginais para tópicos centrais, como migração e integração. Como resultado, partidos mainstream adaptaram suas mensagens, legitimando ideias extremistas e ampliando sua disseminação. Teresa Völker, co-autora do estudo, afirmou que a comunicação política dos partidos tradicionais é crucial para o sucesso eleitoral da extrema-direita, um fator frequentemente subestimado.

Mesmo quando partidos tradicionais criticam a extrema-direita, eles acabam por dar visibilidade a essas ideias. Daniel Saldivia Gonzatti, também co-autor, destacou que a atenção recebida, mesmo em contextos críticos, é fundamental na batalha pela opinião pública. “Quem define a agenda influencia o que os eleitores pensam e como votam”, disse.

Impactos na Democracia

A pesquisa indica que a normalização das ideias da extrema-direita não se limita à Alemanha. Os pesquisadores observam que esse fenômeno é visível em outros países europeus, como Reino Unido e França, onde líderes políticos adotam a linguagem da extrema-direita, especialmente em relação à migração. A mudança de tom nas discussões políticas é um sinal de que a extrema-direita está moldando o discurso público.

O estudo também revela que partidos da oposição são mais suscetíveis a essa influência do que aqueles no governo. O impacto da extrema-direita se expande para além das questões culturais, afetando uma gama mais ampla de tópicos. Völker sugere que partidos tradicionais precisam desenvolver suas próprias narrativas, em vez de seguir a pauta da extrema-direita.

Os pesquisadores concluem que, se a situação continuar, a democracia na Europa pode ser seriamente afetada. A análise dos dados coletados demonstra que a percepção pública não muda rapidamente, mas a repetição de narrativas negativas sobre migração, mesmo por partidos moderados, contribui para a aceitação dessas ideias.

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