- San Basilio de Palenque, conhecido como o primeiro território negro livre, deve realizar um referendo em trinta de novembro para buscar autonomia administrativa e orçamentária, afastando-se da governança do município de Mahates.
- A vila fica a cerca de 48 quilômetros de Cartagena e tem população de aproximadamente 4 mil habitantes, com história ligada à resistência dos cimarrones e à língua Palenquero.
- A língua Palenquero, mistura de espanhol, português e idiomas bantos, já é usada no currículo escolar, e eventos culturais como o Festival do Tambor ajudam a preservar a identidade local.
- A transição para município independente pode trazer transferências diretas do governo federal, mas exige que a nova gestão trate de impostos locais e serviços básicos, como água potável e saneamento.
- Figuras locais, como Andreus Manuel Valdés Torre, apontam a educação como essencial para evitar conflitos, enquanto Bernardino Pérez expressa preocupações sobre a divisão da comunidade e a memória histórica ligada a Benkos Biohó.
San Basilio de Palenque, reconhecida como o primeiro território negro livre nas Américas, está prestes a realizar um referendo no dia 30 de novembro. O objetivo é conquistar a autonomia administrativa e orçamentária, desafiando a atual estrutura de governança sob o município de Mahates.
A vila, situada a cerca de 48 km de Cartagena, é um símbolo de resistência, com uma população de aproximadamente 4 mil habitantes. Desde sua fundação por cimarrones no século XVIII, Palenque preservou cultura e tradições únicas, incluindo a língua Palenquero, uma mistura de espanhol, português e idiomas banto africanos. Apesar de seu valor histórico, a comunidade enfrenta sérios desafios em serviços públicos, como água potável e saneamento básico.
Desafios da Autonomia
A transição para um município independente pode trazer benefícios, como transferências diretas do governo federal, mas também impõe desafios significativos. A nova administração precisará lidar com a arrecadação de impostos locais e a implementação de serviços básicos. Andreus Manuel Valdés Torre, líder comunitário, destacou que a educação e o treinamento são essenciais para enfrentar essas dificuldades sem conflitos.
A proposta de independência não é unânime. Bernardino Pérez, narrador comunitário, expressou preocupações sobre a divisão da comunidade. A história de Palenque, marcada pela luta de figuras como Benkos Biohó, está profundamente entrelaçada com a identidade afro-colombiana. A construção da narrativa de Palenque como o “primeiro território livre” é vista por alguns como uma forma de resistência cultural.
Cultura e Identidade
Eventos culturais, como o Festival do Tambor, realizado recentemente, têm desempenhado um papel crucial na revitalização da cultura local. A língua Palenquero, que já enfrentou ameaças de extinção, foi incorporada ao currículo escolar, com mais da metade da população atualmente falando-a. Iniciativas artísticas e a presença de grupos como Kombilesa Mi ajudam a rejuvenescer a identidade cultural.
O referendo representa não apenas uma oportunidade de autonomia, mas também um passo em direção à afirmação da identidade afro-colombiana em um contexto mais amplo. A expectativa é que a comunidade aproveite essa chance para se tornar um modelo de governança e cultura, refletindo sua rica história de resistência e luta por reconhecimento.
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