- O chanceler Friedrich Merz, da Alemanha, defende expulsões em larga escala de imigrantes, declaração feita na última segunda-feira, gerando críticas de opositores e ativistas em meio ao clima pré-eleitoral.
- Merz assumiu em maio com a promessa de conter o crescimento do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e agora é acusado de adotar uma retórica perigosa sobre imigração.
- Em coletiva, afirmou que quem tem filhas concordaria com a necessidade de mudanças nas políticas de migração; não se retratou e repetiu que “precisamos mudar algo”, leitura interpretada como tentativa de legitimar discurso que vincula imigração a problemas de segurança.
- A oposição, incluindo Ricarda Lang (Partido Verde), criticou o uso da segurança das mulheres para justificar políticas que podem acentuar discriminação; protestos ocorreram em várias cidades; Natalie Pawlik (Partido Social-Democrata) disse que a imigração não deve ser estigmatizada.
- Desdobramentos políticos: AfD atingiu 20,8% nas últimas eleições gerais; pressão interna na CDU/CSU aumenta, com debates sobre abandonar a política de não cooperação com a AfD, conhecida como firewall; Merz mantém posição de que diferenças com a AfD tornam a colaboração impossível.
O chanceler alemão Friedrich Merz enfrenta intensas críticas após defender expulsões em larga escala de imigrantes. As declarações, feitas na última segunda-feira, provocaram reações adversas de opositores e ativistas, especialmente em um clima pré-eleitoral tenso. Merz, que assumiu em maio com a promessa de conter o crescimento do partido de extrema direita AfD, agora é acusado de adotar uma retórica perigosa sobre imigração.
Durante uma coletiva, Merz afirmou que quem tem filhas concordaria com a necessidade de mudanças nas políticas de migração. Ele não se retratou após ser questionado sobre suas declarações anteriores, insistindo que “precisamos mudar algo”. Essa postura foi interpretada como uma tentativa de legitimar um discurso que associa imigração a problemas de segurança e violência.
Críticas e Reações
A oposição, incluindo a deputada dos Verdes Ricarda Lang, criticou Merz por usar a segurança das mulheres como justificativa para políticas que podem acentuar a discriminação. Lang afirmou que o chanceler ignora as preocupações políticas reais das jovens. Comentários de Merz sobre a diversidade como um problema nas cidades alemãs também foram alvo de reprovação.
Protestos contra suas declarações ocorreram em várias cidades alemãs, refletindo o descontentamento público. Natalie Pawlik, do partido Social Democrata, ressaltou que a imigração não deve ser estigmatizada, alertando que isso pode dividir ainda mais a sociedade. O cenário se complica com a aproximação das eleições estaduais, onde o AfD mostra forte apoio nas pesquisas.
Desdobramentos Políticos
Merz busca uma estratégia para fortalecer sua posição diante do AfD, que alcançou 20,8% nas últimas eleições gerais. A pressão interna no partido CDU/CSU aumenta, com alguns membros sugerindo que a política de não cooperação com o AfD, conhecida como “firewall”, pode ser insustentável a longo prazo. Apesar disso, Merz reafirmou que as diferenças fundamentais com o AfD tornam qualquer colaboração impossível.
O futuro político de Merz e do CDU/CSU dependerá de sua capacidade de abordar as preocupações da população sem sucumbir à retórica populista, enquanto tenta estabilizar a economia e controlar a imigração ilegal.
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