Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Lembrar é resistir e fortalece movimentos por direitos

Juiz aposentado Márcio José de Moraes mostra datilografia da sentença de 1978 que responsabilizou a União pela morte de Vladimir Herzog e debate sobre tombamento do DOI-Codi

Orgulho. “O Estado não cumpriu a decisão”, diz Moraes. Ele ainda conserva a Olivetti em que datilografou a sentença e guarda recortes de jornais da época – Imagem: Luca Meola/CartaCapital
0:00
Carregando...
0:00
  • O caso Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975, continua marcado na memória brasileira; a União foi condenada em 1978, em sentença do juiz Márcio José de Moraes, um marco na luta por justiça durante a ditadura militar.
  • Moraes afirmou que a decisão foi datilografada em uma máquina Olivetti, presente de sua mãe, e destacou a pressão social e política que cercou o caso.
  • Herzog, então diretor da TV Cultura, teve a versão oficial de suicídio amplamente contestada pela sociedade, que promoveu protestos ecumênicos com diversas lideranças religiosas.
  • O processo movido pela família de Herzog contra o Estado ocorreu sob o Ato Institucional Número Cinco (AI-5); a sentença reconheceu que teriam sido praticadas torturas não só em Vladimir Herzog, como também em outros presos políticos, mas a Procuradoria da Justiça Militar nunca investigou os responsáveis.
  • Memória e resistência seguem: o Memorial da Resistência recebe cerca de 200 visitantes diários, enquanto há defesa pelo tombamento do antigo DOI-Codi, local de tortura e morte de opositores; Moraes afirma que conhecer a história é necessário para evitar repetir o passado.

O caso de Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975, continua a reverberar na memória coletiva brasileira. A condenação da União em 1978, por meio da sentença do juiz Márcio José de Moraes, foi um marco na luta por justiça durante a ditadura militar. O juiz revelou que a decisão foi datilografada em sua máquina Olivetti, presente de sua mãe, e destacou a pressão social e política que cercou o caso.

Moraes, que na época era um jovem juiz, recorda que a morte de Herzog, então diretor da TV Cultura, foi um divisor de águas em sua percepção sobre o regime militar. A versão oficial de suicídio foi amplamente contestada pela sociedade, levando a protestos ecumênicos que uniram diversas lideranças religiosas e cidadãos. “Esse acontecimento mudou minha percepção sobre o regime militar”, afirmou Moraes ao relembrar o ato na Catedral da Sé.

O Processo Judicial

O processo movido pela família de Herzog contra o Estado brasileiro ocorreu sob o AI-5, que restringia direitos civis. A sentença de Moraes, proferida em 27 de outubro de 1978, reconheceu que “teriam sido praticadas torturas não só em Vladimir Herzog, como também em outros presos políticos”. Apesar da decisão, a Procuradoria da Justiça Militar nunca investigou os responsáveis pela morte do jornalista.

O filho de Herzog, Ivo Herzog, enfatiza que a sentença foi um passo crucial para a sociedade compreender que a democracia exige memória e justiça. Moraes, que se aposentou e se tornou psicanalista, acredita que revisitar esse episódio é essencial para evitar a repetição de tais horrores. Ele ressalta a coragem das mulheres, como Clarice Herzog, que enfrentaram o sistema para buscar justiça.

Memória e Resistência

Atualmente, a luta por memória e justiça continua. O Memorial da Resistência, que recebe cerca de 200 visitantes diariamente, contrasta com o estado de abandono do prédio onde funcionou o DOI-Codi, local de tortura e morte de muitos opositores. O ex-preso político Ivan Seixas e outros ativistas buscam o tombamento do antigo edifício, mas enfrentam resistência política.

Moraes e outros defensores da memória histórica alertam que a falta de vontade política pode levar ao esquecimento das atrocidades cometidas durante a ditadura. “Precisamos conhecer para evitar que tudo isso volte a acontecer,” conclui Moraes, reafirmando a importância da resistência e da memória coletiva.

Relacionados:

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais