- O caso Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975, continua marcado na memória brasileira; a União foi condenada em 1978, em sentença do juiz Márcio José de Moraes, um marco na luta por justiça durante a ditadura militar.
- Moraes afirmou que a decisão foi datilografada em uma máquina Olivetti, presente de sua mãe, e destacou a pressão social e política que cercou o caso.
- Herzog, então diretor da TV Cultura, teve a versão oficial de suicídio amplamente contestada pela sociedade, que promoveu protestos ecumênicos com diversas lideranças religiosas.
- O processo movido pela família de Herzog contra o Estado ocorreu sob o Ato Institucional Número Cinco (AI-5); a sentença reconheceu que teriam sido praticadas torturas não só em Vladimir Herzog, como também em outros presos políticos, mas a Procuradoria da Justiça Militar nunca investigou os responsáveis.
- Memória e resistência seguem: o Memorial da Resistência recebe cerca de 200 visitantes diários, enquanto há defesa pelo tombamento do antigo DOI-Codi, local de tortura e morte de opositores; Moraes afirma que conhecer a história é necessário para evitar repetir o passado.
O caso de Vladimir Herzog, assassinado em 25 de outubro de 1975, continua a reverberar na memória coletiva brasileira. A condenação da União em 1978, por meio da sentença do juiz Márcio José de Moraes, foi um marco na luta por justiça durante a ditadura militar. O juiz revelou que a decisão foi datilografada em sua máquina Olivetti, presente de sua mãe, e destacou a pressão social e política que cercou o caso.
Moraes, que na época era um jovem juiz, recorda que a morte de Herzog, então diretor da TV Cultura, foi um divisor de águas em sua percepção sobre o regime militar. A versão oficial de suicídio foi amplamente contestada pela sociedade, levando a protestos ecumênicos que uniram diversas lideranças religiosas e cidadãos. “Esse acontecimento mudou minha percepção sobre o regime militar”, afirmou Moraes ao relembrar o ato na Catedral da Sé.
O Processo Judicial
O processo movido pela família de Herzog contra o Estado brasileiro ocorreu sob o AI-5, que restringia direitos civis. A sentença de Moraes, proferida em 27 de outubro de 1978, reconheceu que “teriam sido praticadas torturas não só em Vladimir Herzog, como também em outros presos políticos”. Apesar da decisão, a Procuradoria da Justiça Militar nunca investigou os responsáveis pela morte do jornalista.
O filho de Herzog, Ivo Herzog, enfatiza que a sentença foi um passo crucial para a sociedade compreender que a democracia exige memória e justiça. Moraes, que se aposentou e se tornou psicanalista, acredita que revisitar esse episódio é essencial para evitar a repetição de tais horrores. Ele ressalta a coragem das mulheres, como Clarice Herzog, que enfrentaram o sistema para buscar justiça.
Memória e Resistência
Atualmente, a luta por memória e justiça continua. O Memorial da Resistência, que recebe cerca de 200 visitantes diariamente, contrasta com o estado de abandono do prédio onde funcionou o DOI-Codi, local de tortura e morte de muitos opositores. O ex-preso político Ivan Seixas e outros ativistas buscam o tombamento do antigo edifício, mas enfrentam resistência política.
Moraes e outros defensores da memória histórica alertam que a falta de vontade política pode levar ao esquecimento das atrocidades cometidas durante a ditadura. “Precisamos conhecer para evitar que tudo isso volte a acontecer,” conclui Moraes, reafirmando a importância da resistência e da memória coletiva.
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