- ICE anunciou uma parceria com a Zignal Labs para desenvolver uma plataforma de inteligência em tempo real, com capacidade de detecção geolocalizada e alertas a operadores, visando ampliar ações de deportação.
- A plataforma utiliza aprendizado de máquina e reconhecimento óptico de caracteres para analisar mais de oito bilhões de postagens por dia, em mais de cem idiomas, criando feeds de detecção para identificar e rastrear pessoas com geolocalização.
- Postagens em redes sociais, vídeos no TikTok e imagens no Facebook podem ser usadas para localizar indivíduos.
- O ICE planeja contratar quase trinta novos funcionários para monitorar conteúdo em plataformas como Facebook e Instagram; documentos internos indicam busca por informações sobre familiares e amigos de alvos.
- Especialistas e organizações de direitos civis expressam preocupações sobre privacidade e liberdade de expressão; destacam que a vigilância em larga escala pode aumentar detenções entre imigrantes e ativistas, rememorando o uso anterior da Geofeedia em milénios passados e discutindo limites éticos e legais.
A Agência de Imigração e Controle de Fronteiras dos Estados Unidos (ICE) anunciou uma nova parceria com a Zignal Labs para desenvolver uma plataforma de inteligência em tempo real. Este sistema, que processa bilhões de postagens diárias em redes sociais, visa monitorar e identificar indivíduos, ampliando as ações de deportação.
A plataforma da Zignal Labs utiliza aprendizado de máquina e reconhecimento óptico de caracteres para analisar mais de 8 bilhões de postagens por dia em mais de 100 idiomas. A tecnologia permite a criação de feeds de detecção que podem ser utilizados pelo ICE para identificar e rastrear pessoas, com capacidade de geolocalização. Isso significa que postagens em redes sociais, como vídeos no TikTok ou imagens no Facebook, podem ser utilizadas para localizar indivíduos.
Implicações da Parceria
A nova ferramenta representa um avanço significativo na vigilância social, levantando preocupações sobre liberdade de expressão e privacidade. Especialistas alertam que o uso de tecnologias de monitoramento pode levar a um aumento nas detenções e deportações, especialmente entre comunidades imigrantes e ativistas. O diretor de liberdades civis da Electronic Frontier Foundation, David Greene, destacou que essa vigilância em larga escala pode ter um efeito paralisante sobre a liberdade de expressão.
Além disso, o ICE planeja contratar quase 30 novos funcionários para monitorar conteúdo em várias plataformas sociais, como Facebook e Instagram. Documentos internos indicam que a agência busca informações sobre familiares e amigos de alvos para facilitar o rastreamento.
Contexto Histórico
O uso de ferramentas de monitoramento por parte do ICE não é novo. Em 2016, a American Civil Liberties Union revelou que a polícia utilizava a ferramenta Geofeedia para rastrear manifestantes. Com um orçamento considerável, o ICE tem a capacidade de empregar uma variedade de tecnologias para monitoramento, o que levanta questões sobre os limites éticos e legais dessas práticas.
A crescente colaboração entre agências governamentais e empresas de tecnologia também gera preocupações sobre a utilização de dados pessoais e a potencial repressão a vozes dissidentes. A situação atual reflete uma tendência alarmante de vigilância estatal, que pode impactar a sociedade de maneira ampla e profunda.
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