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Sociedade Civil luta por reparação e amparo aos órfãos da covid-19

Quatro anos depois, ação civil pública do Ministério Público Federal avança para instrução; prevê R$ 100 mil por família, R$ 50 mil por sequelas e R$ 1 bilhão ao Fundo Federal dos Direitos Difusos

© Alex Pazuello/Semcom/Prefeitura de Manaus
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  • Desde 2021, a Avico atua pela reparação para famílias afetadas pela Covid-19, com estimativa de 284 mil crianças e adolescentes órfãos no Brasil e ausência de políticas públicas nacionais de amparo.
  • Nova fase processual: o Ministério Público Federal move ação civil pública pedindo indenizações de pelo menos R$ 100 mil por família, R$ 50 mil para famílias com sequelas e R$ 1 bilhão para o Fundo Federal dos Direitos Difusos; as provas devem ser instruídas após quatro anos de luta.
  • Depoimentos destacam a gravidade da situação: Paola Falceta afirma que crianças estão invisíveis; Milton Alves Santos defende responsabilização do Estado e políticas públicas; Ana Lúcia Lopes relata dor da perda de Bento; a Avico avalia recorrer ao Tribunal Penal Internacional se não houver avanço.
  • O Judiciário e o MPF são vistos como essenciais, com a procuradora do caso buscando colaboração de famílias e reunindo 139 testemunhas para fundamentar o processo.
  • A Avico mantém o objetivo de justiça financeira e reconhecimento, sem abandonar a possibilidade de medidas internacionais caso as ações no Brasil não avancem.

Desde 2021, a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico) luta por justiça e reparação para as famílias afetadas pela pandemia. Estima-se que 284 mil crianças e adolescentes no Brasil perderam seus responsáveis diretos em decorrência da Covid-19. A ausência de políticas públicas nacionais para amparar esses órfãos tem sido uma preocupação constante, e a Avico busca visibilidade para essa questão.

Recentemente, uma nova fase processual foi iniciada, com o Ministério Público Federal (MPF) movendo uma ação civil pública que pede indenizações de pelo menos R$ 100 mil por família e R$ 50 mil para aquelas com sequelas. Além disso, está sendo reivindicado um montante de R$ 1 bilhão para o Fundo Federal dos Direitos Difusos. A expectativa é que as provas sejam instruídas após quatro anos de luta.

Depoimentos Impactantes

Paola Falceta, vice-presidente da Avico, expressa a angústia de muitos familiares. “As crianças estão invisíveis, sem voz para reivindicar seus direitos”, afirma. Milton Alves Santos, da Coalizão Orfandade e Direitos, ressalta que o Estado deve ser responsabilizado pela tragédia da orfandade e defende a criação de políticas públicas que atendam essas crianças.

Ana Lúcia Lopes, mãe de Bento, um dos órfãos, compartilha sua dor. “Sinto falta do meu companheiro todos os dias. A reparação é necessária para que a memória da pandemia seja mantida viva”, destaca. A luta por justiça não se limita ao Brasil; a Avico considera recorrer ao Tribunal Penal Internacional caso as medidas não avancem.

O Papel do Judiciário

O papel do Judiciário e do MPF é crucial nessa busca por reparação. A procuradora do caso solicitou a colaboração de familiares, resultando na coleta de 139 testemunhas que reforçam a argumentação. A luta por justiça financeira é complexa, mas Paola e outros defensores acreditam que é imprescindível garantir um futuro melhor para as crianças afetadas.

A tragédia da Covid-19 gerou um impacto profundo na vida de muitas famílias, e a Avico continua a trabalhar incansavelmente para que a justiça seja feita e que as vozes dos órfãos sejam finalmente ouvidas.

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