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Judiciário permite postagens de traficantes, silencia a direita nas redes

Judiciário censura a direita nas redes, mas permite perfis de traficantes e criminosos, acentuando debate sobre isonomia na aplicação das medidas digitais

Presos do 8/1 não podem falar nas redes sociais; traficantes alvos de operação da no Rio postavam nas redes. (Foto: Arquivo pessoal / Instagram)
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  • O Judiciário é questionado por permitir que traficantes mantenham presença nas redes sociais e entrevistas, enquanto figuras da direita ficam sem voz após decisões de restrição.
  • Casos citados mostram esse desequilíbrio: a traficante conhecida como “Japinha do CV” tinha milhares de seguidores e postagens com fuzis; houve correção de que não há confirmação de morte dela na operação, segundo a CNN.
  • Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, líder histórico do Comando Vermelho, tem perfil ativo no Instagram mantido por pessoas próximas, e já divulgou livro dele; pediu autorização ao STF para entrevista à TV Record.
  • Em contraste, o ex-deputado Daniel Silveira permanece com contas bloqueadas e sem entrevistas; Filipe Martins também não pode se manifestar, com decisões do STF para censura.
  • Juristas alertam que esse padrão cria percepção de tratamento desigual; levantamento da Gazeta do Povo aponta que ao menos treze deputados e senadores tiveram perfis bloqueados desde 2019, enquanto traficantes e aliados seguem ativos.

A operação deflagrada no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho reacendeu o debate sobre a liberdade de expressão no Judiciário brasileiro. Enquanto figuras ligadas à direita sofrem restrições de divulgação e entrevistas, traficantes e pessoas ligadas ao crime organizado mantêm presença digital ativa, com transmissões ao vivo e contatos com veículos de imprensa.

Antes da operação, perfis ligados aos alvos já eram ativos nas redes. Exemplos citados são uma traficante conhecida como Penélope, apelidada de “Japinha do CV”, com milhares de seguidores, e Yago Ravel Rodrigues, que exibía fuzis em locais públicos. Houve desmentido sobre a morte da traficante ligado ao grupo.

Correção: não há confirmação de que a traficante tenha sido morta na operação, segundo a polícia. A versão circulada por alguns veículos foi contestada pela autoridade policial ouvida pela imprensa.

Desigualdade de tratamento

Márcio Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, líder histórico do Comando Vermelho, mantém perfil ativo no Instagram, criado por pessoas próximas a ele, que permanece preso. O perfil já divulgou um livro ligado ao líder e apresentou pedidos de entrevista ao STF para tratar da operação.

Já figuras públicas, como o ex-deputado Daniel Silveira, seguem com contas bloqueadas e sem autorização para entrevistas. Em comparação, outras figuras ligadas ao crime podem ter espaço para diálogo público, segundo a leitura de especialistas.

O caso de Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro, também aponta para censura em redes e entrevistas, com decisões do STF que restringiram sua fala pública para não tumultuar processos. Moraes fundamenta restrições em medidas cautelares.

CompleXidade jurídica e precedentes

As medidas são fundamentadas em interpretações de dispositivos de cautela do Código de Processo Penal, destacando divergências com precedentes em que jornalistas puderam entrevistar integrantes de facções criminosas. Casos históricos, como entrevistas com Fernandinho Beira-Mar, ilustram esse contraste.

O ex-presidente Jair Bolsonaro também enfrentou restrições de participação, com proibição de publicações por contas próprias ou terceiras. Em julho deste ano, Moraes considerou que participação online de Bolsonaro poderia violar decisões judiciais, mesmo sem uso direto de plataformas próprias.

Análise de especialistas

Juristas destacam que a prática de censura prévia tem atingido principalmente figuras de direita, estendendo-se a parlamentares. Levantamento recente aponta dezenas de bloqueios a deputados e senadores desde 2019, sob justificativas de risco à ordem pública ou à credibilidade institucional.

Advogados observam que a liberdade de expressão, mesmo para indivíduos sob investigação, não pode ser automaticamente cerceada. Interlocutores lembram que não há uniformidade na aplicação das medidas, o que levanta questionamentos sobre equidade no tratamento institucional.

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