- A presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha, respondeu a críticas do ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira, classificando-as como agressão desrespeitosa de tom misógino, durante sessão na terça-feira, 4 de novembro.
- Oliveira discordou do pedido de perdão feito por Rocha às vítimas da ditadura, feito em evento ecumênico na Catedral da Sé, em São Paulo, onde ela homenageou Vladimir Herzog.
- Oliveira afirmou que não liga para a opinião de Rocha e que não falará em seu nome.
- Rocha disse que o discurso de Oliveira teve tom misógino e paternalista e que a agressão desrespeitosa não atinge apenas ela, mas toda a magistratura feminina.
- A troca de farpas entre os ministros evidencia debates sobre memória histórica e responsabilidade da Justiça no passado do Brasil.
A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, respondeu ao ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira após críticas sobre seu pedido de perdão às vítimas da ditadura militar. A declaração ocorreu durante uma sessão nesta terça-feira, 4 de novembro, onde Rocha classificou a crítica de Oliveira como uma “agressão desrespeitosa” e de “tom misógino”.
Oliveira havia manifestado sua discordância em relação ao pedido de perdão feito por Rocha em um evento ecumênico na Catedral da Sé, em São Paulo, onde ela homenageou o jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura. O ministro sugeriu que a presidente deveria “estudar um pouco mais da história do Tribunal” antes de se pronunciar sobre o tema.
Conflito entre autoridades
A divergência se intensificou quando Rocha afirmou que o discurso de Oliveira continha um tom misógino e paternalista. “Essa agressão desrespeitosa não atinge apenas esta magistrada, mas toda a magistratura feminina”, destacou a presidente do STM. Em resposta, Oliveira reafirmou que não se importa com a opinião dela e que não a autorizou a falar em seu nome.
A troca de farpas entre os ministros reflete uma rotina de confrontos no tribunal. Rocha, ao defender seu gesto de pedir perdão, enfatizou que não teve a intenção de revisitar o passado de forma humilhante ou política. Oliveira, por sua vez, insistiu que sua crítica não foi pessoal, mas relacionada à ausência de Rocha em várias sessões do Tribunal.
A importância do perdão
Durante o evento em que pediu perdão, Maria Elizabeth Rocha se dirigiu às vítimas da ditadura, mencionando diversos nomes que sofreram com as atrocidades do regime. “Perdão pelos erros e omissões judiciais cometidos durante a ditadura”, declarou a presidente, ressaltando a necessidade de reconhecer o passado para promover a justiça.
A tensão entre os ministros do STM evidencia não apenas desavenças pessoais, mas também questões mais amplas sobre a memória histórica e a responsabilidade da Justiça em relação ao passado do Brasil.
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