- O primeiro-ministro Viktor Orbán moldou o cenário midiático da Hungria desde dois mil e dois, consolidando controle estatal sobre a imprensa e uma máquina de propaganda governamental.
- Semanas atrás, um grupo empresarial leal a Orbán anunciou a compra do tabloide Blikk, o mais lido do país, e de outras holdings, cinco meses antes das eleições parlamentares de dois mil e vinte e seis.
- A operação intensifica a concentração de mídia, já criticada por falta de independência; Ágnes Urbán, diretora do observatório Mérték Media Monitor, aponta que oitenta por cento dos meios de comunicação estão sob controle do governo.
- A competição política ganhou impulso com Péter Magyar, ex-membro do Fidesz, que comanda o partido Tisza e aparece à frente em pesquisas; Magyar chamou os críticos de o NER de “criminosos” que teriam se apossado de grandes meios independentes.
- Organizações internacionais, como a Human Rights Watch, alertam sobre a relação entre controle midiático e erosão do estado de direito; a União Europeia já congelou bilhões de euros em fundos por preocupações com liberdade de expressão e independência judicial.
Desde 2002, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, tem moldado o cenário midiático do país, estabelecendo um controle rigoroso sobre a imprensa e promovendo uma máquina de propaganda governamental. Recentemente, um grupo empresarial leal a Orbán anunciou a compra do tabloide Blikk, o mais lido da Hungria, além de outras holdings, em um movimento que ocorre a apenas cinco meses das eleições parlamentares de 2026.
A aquisição do Blikk intensifica a concentração da mídia no país, que já enfrenta críticas por sua falta de independência. Segundo a diretora do observatório Mérték Media Monitor, Ágnes Urbán, a operação se insere em um contexto onde 80% dos meios de comunicação estão sob controle do governo. A mudança ocorre em um momento delicado para Orbán, que enfrenta uma possível perda de poder após 15 anos de mandatos consecutivos.
A concorrência aumentou com a ascensão de Péter Magyar, ex-membro de seu partido, Fidesz, que agora lidera o partido Tisza e aparece à frente nas pesquisas. Magyar denunciou que “os criminosos do NER se apoderaram de alguns dos últimos grandes meios independentes”, referindo-se à crescente influência do governo na mídia. A compra de Blikk e outros veículos é vista como uma tentativa de fortalecer a presença governista antes do pleito.
Controle Midiático
O controle da mídia em Hongria se tornou um tema central nas críticas internacionais. Organizações como a Human Rights Watch têm alertado para a relação entre o controle midiático e a erosão do Estado de direito no país. A União Europeia já congelou bilhões de euros em fundos devido a preocupações com a liberdade de expressão e a independência judicial.
A compra do Blikk, que anteriormente se dedicava a entretenimento, agora também incorpora conteúdo político, atingindo um público menos engajado em questões políticas. Com a decisão de plataformas como Google e Meta de eliminar publicidade política, Orbán busca garantir que sua mensagem alcance todos os segmentos da população, especialmente aqueles menos informados.
A situação atual destaca a fragilidade da liberdade de imprensa na Hungria, onde a propaganda governamental se intensifica em um ambiente de crescente controle e censura. A resposta do governo às críticas internacionais e a dinâmica política interna será crucial nos próximos meses, à medida que se aproximam as eleições.
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