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Fundo racial pode repassar mais de 20 bilhões para financiar ONGs ligadas à esquerda

PEC 27/2024 avança na CCJ para criar fundo privado de R$ 20 bilhões fora do teto, voltado à população negra; lei complementar definirá critérios e fiscalização em até 180 dias

Comissão especial Fundo Nacional da Igualdade Racial (PEC 27/24). (Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados)
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  • A PEC 27/2024 propõe criar o Fundo Nacional de Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial, com aporte de R$ 20 bilhões fora do teto de gastos; lei complementar em cento e oitenta dias definirá critérios, repasses e fiscalização.
  • O fundo seria administrado por uma instituição financeira federal, e há preocupação com governança e transparência na aplicação dos recursos devido à falta de detalhes sobre distribuição.
  • A proposta avançou na Comissão de Constituição e Justiça e, se mantida, seguirá para a Comissão Especial e depois para o Senado.
  • Cerca de noventa e seis ONGs podem ser beneficiadas; há críticas de que o fundo pode se tornar canal de repasses constantes sem critérios de seleção, com temores de uso político, segundo o deputado Hélio Lopes.
  • Defensores, como o Instituto Pretos Novos, destacam que a concentração de emendas não reflete apenas alinhamento ideológico; o relator Orlando Silva afirma que o objetivo é financiar políticas públicas estruturadas e o Ministério da Igualdade Racial defende o mecanismo como parte do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir).

Um novo cenário se desenha com a PEC 27/2024, que estabelece um Fundo Nacional de Reparação Econômica e Promoção da Igualdade Racial com um aporte de R$ 20 bilhões fora do teto de gastos. A proposta, que já avançou na Comissão de Constituição e Justiça, visa financiar ações voltadas à população negra, mas levanta preocupações sobre a governança e a transparência na aplicação dos recursos.

A PEC prevê que, em até 180 dias, uma lei complementar defina critérios para repasses e fiscalização do fundo, que será administrado por uma instituição financeira federal. No entanto, a falta de detalhes sobre como os recursos serão distribuídos gera incertezas. Especialistas alertam para o risco de que o fundo se torne uma ferramenta de aparelhamento político, similar ao modelo de emendas parlamentares.

Preocupações com Aparelhamento Político

Um levantamento aponta que 96 ONGs podem ser beneficiadas pelo fundo, muitas das quais já receberam emendas de parlamentares ligados à esquerda. A crítica se concentra na possibilidade de que o fundo sirva como um canal de repasses constantes a essas organizações, sem critérios claros de seleção. O deputado Hélio Lopes (PL-RJ) expressou temores de que os recursos sejam utilizados para fins eleitorais, favorecendo grupos que apoiam movimentos sociais organizados.

Por outro lado, entidades como o Instituto Pretos Novos argumentam que a concentração de emendas não reflete apenas alinhamento ideológico, mas a escassez de deputados que atuem na pauta racial. A proposta do fundo, segundo o relator Orlando Silva (PCdoB-SP), busca financiar políticas públicas estruturadas, não apenas ONGs.

Riscos Estruturais e Governança

A discussão sobre a governança do fundo se intensificou, com especialistas apontando fragilidades no modelo atual. A diretora-executiva da Transparência Brasil, Marina Atoji, destacou que a falta de clareza sobre quem decide e como decide sobre os recursos pode levar a uma captura política. A proposta de que o fundo tenha natureza privada é vista como uma ameaça ao controle social e à transparência.

O Ministério da Igualdade Racial defende a criação do fundo como parte do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), buscando garantir monitoramento e controle. Entretanto, o debate sobre a regulação necessária para evitar práticas de corrupção e garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa segue em aberto.

A PEC, agora em análise na Comissão Especial, passará por votação em dois turnos na Câmara dos Deputados e, se aprovada, seguirá para o Senado. O futuro do fundo e sua governança ainda dependem de um detalhamento que deve ocorrer em breve, mas a expectativa é alta quanto aos desafios que surgirão na implementação dessa política pública.

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