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Pacífico Licutan: africano muçulmano quase tomou Salvador no século XIX

Em 1835, Pacífico Licutan é preso, impulsionando revolta malê em Salvador com sessenta revoltosos e repressão mais dura

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  • Em 1835, o Brasil era escravocrata e a Bahia tinha alta concentração de escravizados; Salvador reunia 65,5 mil habitantes, dos quais 42% eram escravizados, e a Revolta dos Malês, liderada por Pacífico Licutan, emergiu como episódio central de resistência.
  • Os malês eram alfabetizados em árabe e se reuniam em centros islâmicos; a insatisfação levou ao planejamento da revolta para o dia vinte e cinco de janeiro.
  • A prisão de Licutan, visto como líder espiritual entre os malês, foi efetuada por seu senhor, endividado; no dia anterior à revolta, cerca de sessenta revoltosos se reuniram, foram traídos e cercados pelas autoridades.
  • A tentativa de libertar Licutan falhou, resultando em confronto violento; a rebelião durou poucas horas e deixou quatorze soldados e setenta e três rebeldes mortos, além de mais de quinhentas prisões.
  • Como consequência, as autoridades endureceram regras para os escravizados, com restrições de circulação e reforço do batismo católico; Licutan recebeu mil chibatadas e tornou-se símbolo da resistência negra urbana.

O Brasil em 1835 era um país ainda profundamente escravista, com a Bahia apresentando uma alta concentração de escravizados. Nesse contexto, a Revolta dos Malês, liderada por Pacífico Licutan, um escravizado islâmico, emergiu como um dos principais episódios de resistência. A população de Salvador era composta por 65,5 mil habitantes, dos quais 42% eram escravizados. A insatisfação crescente entre os malês, que eram alfabetizados em árabe e se reuniam em centros islâmicos, culminou em uma revolta planejada para o dia 25 de janeiro.

A prisão de Licutan, que era visto como um líder espiritual e educador entre os malês, foi o estopim da revolta. Ele foi detido por seu senhor, que estava endividado, e a indignação se espalhou rapidamente. No dia anterior à revolta, cerca de 60 revoltosos se reuniram, mas foram traídos e cercados pelas autoridades. A tentativa de libertar Licutan falhou, resultando em um confronto violento.

Consequências da Revolta

A rebelião durou apenas algumas horas, resultando na morte de 14 soldados e 73 rebeldes, além de mais de 500 prisões. As autoridades, temerosas da revolta, endureceram as regras para os escravizados, impondo restrições severas à sua circulação e reforçando a obrigatoriedade do batismo católico. Pacífico Licutan, mesmo não tendo participado ativamente, foi condenado a mil chibatadas e se tornou um símbolo da resistência negra urbana.

A Revolta dos Malês, embora tenha sido um fracasso militar, destacou a luta dos escravizados e a articulação religiosa e intelectual na Bahia. Licutan permanece até hoje como um ícone da resistência, representando a luta não apenas por liberdade, mas também pela preservação da cultura islâmica entre os africanos no Brasil.

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