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Governo demite ex-secretário da Receita ligado ao caso das joias de Bolsonaro

CGU demite Vieira Gomes; suspensão de cinco anos de cargo público e indiciamento da PF por peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa

Governo Lula demite ex-secretário da Receita envolvido no caso das joias de Bolsonaro
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  • A Controladoria-Geral da União demitiu formalmente Vieira Gomes no dia 1º de setembro de 2025, após processo disciplinar sobre o episódio da tentativa de liberação de joias presentadas pela Arábia Saudita ao ex‑presidente Jair Bolsonaro.
  • A demissão implica ainda o impedimento de cinco anos para ocupar qualquer cargo público federal.
  • Vieira Gomes foi indiciado pela Polícia Federal em 2024 por peculato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e advocacia administrativa, relacionado à venda irregular de presentes oficiais no exterior.
  • As investigações apontam pressão exercida pelo ex-secretário da Receita para liberar joias apreendidas na Alfândega em Guarulhos, que estavam sendo trazidas por uma comitiva do governo.
  • Mensagens interceptadas mostram contato direto com Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, na tentativa de recuperação dos bens, caracterizando intermediação de interesses privados perante a administração pública.

Julio Cesar Vieira Gomes, ex-secretário Especial da Receita Federal, teve a demissão formalizada pela Controladoria-Geral da União (CGU) nesta segunda-feira, 1º de [mês atual], após apuração no âmbito de processo disciplinar. A mudança ocorre em meio a investigações anteriores da PF e da CGU sobre suposta intermediação de interesses privados para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo pressão para liberar joias apreendidas em 2022 no aeroporto de Guarulhos.

A PGU detalha que Vieira Gomes, à época à frente da Receita Federal, utilizou sua posição para pressionar auditores fiscais no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) com o objetivo de liberar um conjunto de joias de alto valor trazidas por uma comitiva do governo. As peças haviam sido apreendidas pela Alfândega por falta de declaração e pagamento de impostos, e não constavam do acervo público, o que motivou a retenção.

Mensagens interceptadas pela PF, que integram o inquérito, mostram contato direto do ex-secretário com Mauro Cid, então ajudante de ordens de Bolsonaro, tratando da “recuperação dos bens”. A conduta foi enquadrada como intermediação de interesses privados perante a administração pública e tentativa de uso do cargo para favorecer o ex-presidente.

Demissão e indiciamento

Conforme apurado pela CGU, a demissão no âmbito administrativo impede Vieira Gomes de ocupar cargo público federal pelo prazo de cinco anos. A decisão se soma ao indiciamento dele pela Polícia Federal em 2024, em inquérito que investiga peculato, lavagem de dinheiro, associação criminosa e advocacia administrativa, relacionados à venda ilegal de presentes oficiais no exterior. As investigações continuam em paralelo, com atuação conjunta de PF e CGU.

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