- A Lexum afirma que a decisão de Gilmar Mendes dificulta o impeachment de ministros do STF e é incompatível com a separação dos poderes.
- A decisão, em caráter monocrático, determina que apenas a Procuradoria-Geral da República pode denunciar ministros, com novos requisitos processuais.
- A entidade sustenta que as mudanças configuram função legislativa, alterando quóruns, legitimidade ativa, tipos legais e efeitos processuais.
- Segundo a Lexum, o deslocamento funcional inviabiliza o sistema de freios e contrapesos e compromete o equilíbrio democrático.
- A associação aponta que cabe ao Congresso responder e restabelecer a disciplina do impeachment, já que o STF não possui função revisora interna.
A Lexum, associação civil dedicada à defesa de princípios constitucionais, afirmou nesta quarta-feira que a decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF, dificulta o impeachment de ministros da Corte e é incompatível com a separação dos Poderes. Em nota técnica, a entidade sustenta que o papel do Judiciário é interpretar a lei, não moldá-la.
A decisão monocrática de Mendes determina que apenas a Procuradoria-Geral da República pode denunciar ministros do STF. A Lexum aponta que o ato introduz requisitos novos na Constituição ou na Lei do Impeachment, alterando o quórum de recebimento, a legitimidade ativa e os efeitos processuais, o que caracterizaria atividade legislativa.
Segundo a associação, tais mudanças representam deslocamento funcional e prejudicam o sistema de freios e contrapesos. A Lexum argumenta que a Constituição prevê controle entre poderes sem subordinação, mantendo a independência de cada espaço institucional.
A entidade acrescenta que o Congresso deve responder institucionalmente para restabelecer a disciplina do impeachment em conformidade com a Constituição. Diante da ausência de solução judicial interna, o caminho são as vias democráticas previstas pelo texto constitucional, conclui a nota.
A Lexum reforça que cabe ao Congresso prover o ajuste necessário para manter o equilíbrio entre poderes e o rito de responsabilização política previsto na legislação brasileira. A organização já havia questionado decisões anteriores do STF que afetam o impeachment, defendendo a separação entre Judiciário e Legislativo.
Contexto adicional
A depender do entendimento da Lexum, a decisão de Mendes pode impactar o andamento de processos disciplinares contra ministros. A entidade destaca a necessidade de manter o papel do Judiciário centrado na interpretação da lei e na defesa de princípios constitucionais, sem interferir na moldagem normativa.
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