- Um terço das associações de habitação recusam inquilinos por verificações de renda.
- Setenta e um por cento citam restrições de benefícios como motivo de recusa.
- Ações de elegibilidade e cortes de benefícios levam a excluídos de cadastros e a menos acessos a novas locações.
- Crise propõe adoção de sistema similar ao da Escócia, com obrigação de realocar famílias sem-teto, e maior investimento em habitação social.
- Governo é pressionado a investir recursos adicionais: £1 bilhão para enfrentar a pobreza sem-teto e £39 bilhões para habitação social e acessível.
O relatório mais recente da Crisis revela que a escassez de habitação social na Inglaterra, aliada a critérios rígidos de elegibilidade e a cortes de benefícios, deixa famílias de baixa renda sem acesso a moradia estável. A situação aumenta o risco de mais pessoas entrarem em situação de rua.
Segundo o levantamento, um terço das associações de habitação recusam inquilinos com base em verificações de renda. Quase um quarto exclui, em alguns casos, famílias abaixo de determinado patamar de renda de listas de alojamento. Em linha com isso, 71% citam restrições de benefícios como motivo.
A pesquisa também aponta que preocupações com o teto de benefícios e o congelamento de auxílios tornam o processo de alocação mais rígido. Além disso, pessoas com necessidades mais complexas enfrentam maiores recusas, por receio de dificuldades na manutenção de uma locação.
Francesca Albanese, diretora-executiva de políticas da Crisis, afirma que as associações tratam moradias sociais como risco. O estudo sugere mudanças no modelo vigente, para favorecer a realocação de famílias vulneráveis, sem ampliar riscos.
Propostas e ações
A Crisis recomenda adotar um sistema à la Escócia, com obrigação legal de realocar famílias sem-teto. Em Inglaterra, apenas 27% das novas locações sociais vão para famílias sem-teto, frente a 54% na Escócia.
A organização também defende alinhar benefícios à renda real de aluguel e itens básicos, além de acelerar a construção de habitação social. O relatório aponta necessidade urgente de priorizar a construção de novas moradias sociais no país.
Dados dos financiamentos citados na publicação indicam planos oficiais de investimento. A crise cita um eixo de atuação com até £1 bilhão para reduzir a falta de moradias e um investimento recorde de £39 bilhões para habitação social e acessível em geração.
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