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Governo fica surpreso com decisão de Hugo Motta de pautar PL da dosimetria

Votação da “anistia light” pode beneficiar Bolsonaro; Motta omitiu pauta ao governo, gesto visto como aceno à oposição, com acordo entre oposição e Centrão

Hugo Motta, Geraldo Alckmin e Lula. Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados
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  • A votação da chamada “anistia light” está prevista para esta terça-feira e pode beneficiar Jair Bolsonaro.
  • Na noite de segunda-feira oito, Motta reuniu-se com os ministros Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann na Residência Oficial, mas não trataram do tema; a pauta era economia, incluindo o PL 125/2022.
  • Motta não avisou ao governo que haveria a pauta da anistia, gesto visto como aceno à oposição; há acordo entre a oposição bolsonarista e o Centrão para levar o texto adiante, mesmo com o relatório da Dosimetria.
  • Caso o projeto avance, a pena de 27 anos e 3 meses de prisão de Bolsonaro poderia ser reduzida para dois anos e 4 meses de regime fechado, mantendo a inelegibilidade pelo Tribunal Superior Eleitoral.
  • O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, disse que a anistia é defendida sem adjetivos e ressaltou que, mesmo com a possível aprovação, é apenas o primeiro degrau da luta.

Na noite de segunda-feira, 8, Motta reuniu-se com os ministros Fernando Haddad e Gleisi Hoffmann na Residência Oficial, em Brasília. A pauta da reunião não abordou a anistia light, mas sim temas econômicos, como o PL 125/2022.

A notícia de que a pauta da anistia poderia avançar no dia seguinte chegou ao público sem aviso ao governo. A reunião não tratou do tema, o que levou a interpretações sobre um aceno à oposição.

A possível votação da anistia light está prevista para esta terça-feira e pode favorecer Jair Bolsonaro. Há indicações de acordo entre a oposição bolsonarista e o Centrão para seguir com o texto, mesmo com o relatório aberto pela Dosimetria.

Contexto político

Segundo o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, há desdobramentos sobre o relatório da Dosimetria e a possibilidade de avanço da matéria. Em entrevista, Cavalcante afirmou que a avaliação do ex-presidente Bolsonaro já ocorreu e que há suporte para a votação, mantendo a perspectiva de mudanças no cenário eleitoral.

No fim de semana anterior, o senador Flávio Bolsonaro sinalizou que poderia abrir mão da pré-candidatura sob condições ligadas ao andamento do processo. Caso o texto avance, a pena prevista para eventuais crimes contra a democracia poderia ser reduzida, mantendo a inelegibilidade em alguns casos. A mobilização é descrita como parte de uma estratégia maior dentro do parlamento.

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