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Polarização nos EUA compromete neutralidade militar, diz ex-chefe do Estado-Maior

Mike Mullen, ex-presidente dos Chefes do Estado-Maior Conjunto, diz que o ambiente político é o mais perigoso para as Forças Armadas e que a politização envolve oficiais de várias estrelas

Mullen’s comments follow accusations that the Trump administration has consciously sought to politicize the military by purging senior commanders. Photograph: Oliver Contreras/Sipa/Bloomberg via Getty Images
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  • O ex‑almirante Mike Mullen afirmou, em fórum do Aspen Institute, que o ambiente político atual é o mais perigoso para os oficiais, com a polarização cada vez mais profunda atingindo uma parcela maior de oficiais juniores.
  • Segundo ele, a politização envolve um grupo maior de oficiais, incluindo oficiais de várias estrelas, o que complica a neutralidade institucional das Forças Armadas.
  • Mullen criticou as demissões de Gen CQ Brown e da almirante Lisa Franchetti, dizendo que eles teriam servido lealmente ao governo da época.
  • Ele destacou que mudanças rápidas no alto escalão abalaram praças júniores e ampliaram a percepção de que é preciso navegar em um ambiente político.
  • O ex‑almirante também comentou o vídeo de seis democratas com histórico militar que pediam resistência a ordens ilegais, o qual está sob investigação do FBI.

O ex-almirante Mike Mullen afirmou, em fórum do Aspen Institute, que o ambiente político atual é o mais perigoso para oficiais e que a politização envolve um grupo cada vez maior de comandantes, incluindo oficiais de várias estrelas. O alerta foi feito durante o encontro de segurança na última quarta-feira. Ele destacou que manter a neutralidade militar ficou mais difícil desde que deixou a presidência em 2011 e que a relação civil-militar ficou mais complexa.

Mullen ressaltou que o cenário político se tornou mais profundo e amplo, atingindo não apenas o topo, mas também uma parcela maior de lideranças, o que ele chamou de desafio para preservar a apoliticidade das Forças Armadas. O ex-presidente do Joint Chiefs of Staff citou a dificuldade de manter a neutralidade entre políticas que mudam a cada administração.

Ele mencionou ainda a demissão de Gen CQ Brown, atual líder do topo militar, e de Adm Lisa Franchetti, a primeira mulher a chefiar a Marinha, questionando as justificativas para tais desligamentos e destacando a incerteza que isso causou entre oficiais de carreira.

Contexto e acusações

Segundo o ex-almirante, há mensagens de que autoridades desejam limitar o serviço de certos oficiais que teriam se alinhado a políticas do ex-presidente. Mullen criticou a ideia de que o afastamento desses comandantes tenha seguido uma orientação presidencial, afirmando que as decisões devem respeitar o processo institucional, independentemente do mandatário.

Repercussões entre as fileiras

O ex-chefe militar também mencionou que a rotatividade abrupta de cargos superiores abala a confiança de praças e cadetes. Ele disse ter observado, no Naval Academy e no Air Force Academy, a necessidade de jovens oficiais navegar por um ambiente politizado, o que pode trazer riscos de erros custosos.

Episódio recente envolvendo Congresso

Mullen comentou ainda uma denúncia recente de que seis democratas que já serviram às Forças Armadas estariam pedindo resistência a ordens ilegais, e informou que as investigações da FBI já estão em curso. O militar ressaltou que ninguém em posição elevada precisa seguir ordens ilegais, reforçando a necessidade de apolítica institucional.

Contexto histórico

O ex-comandante também recordou episódios de críticas ao então presidente dos EUA, incluindo a dispersão de manifestantes em Lafayette Square durante visita a St John’s Church. Ele descreveu tais ações como um grave uso político das forças armadas e destacou que a confiança pública depende da capacidade de servir com profissionalismo e obediência a ordens legais.

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