- A Câmara dos Deputados aprovou o PL da Dosimetria, que altera o cálculo das penas e pode reduzir condenações ligadas aos atos de 8 de janeiro e a Jair Bolsonaro, dependendo da análise do Senado e de eventual sanção presidencial.
- O texto muda o regime de absorção entre crimes, passando a considerar o crime mais grave como base, com acréscimo definido pela Justiça, em vez da soma de penas anterior.
- A progressão de regime passa a ocorrer após cumprir um sexto da pena, em vez do atual um quarto.
- Há um abatimento de pena para condenados que cumpriram prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, com efeito ainda sujeito a revisão individual pelo STF.
- Mesmo se aprovado, a aplicação depende de pedidos das defesas ao Judiciário e de eventual avaliação do STF; não há anistia nem extinção de penas.
A Câmara dos Deputados aprovou o PL da Dosimetria, que altera o cálculo de penas e pode reduzir condenações ligadas aos eventos de 8 de janeiro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto ainda depende de aprovação no Senado e eventual sanção presidencial. A mudança pode permitir novo cálculo de penas com base em regras mais benéficas, exigindo revisões pelo STF.
A proposta cria o concurso formal, absorção do crime mais grave, e progressão de regime a partir de um sexto da pena, em vez de um quarto. Também prevê abatimento para prisão domiciliar com tornozeleira. A aplicação prática dependerá da avaliação individual de cada caso pelo Judiciário.
Se sancionado, o PL pode permitir revisões individuais no STF, que impõe as condenações. A depender dos cálculos, a pena de Bolsonaro tende a reduzir, conforme guias da relatoria. Outros réus do 8 de janeiro também poderão solicitar reanálises sob as novas regras.
Detalhes da mudança
O projeto proíbe a soma de penas para crimes de tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Em vez disso, aplica-se o concurso formal, com base na pena mais grave e um acréscimo definido pela Justiça. A absorção pode reduzir o tempo total.
Outra inovação é a progressão de regime aos condenados depois de um sexto da pena cumprida, não mais após um quarto. O texto também institui abatimento para condenados em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, sujeito à revisão pelo STF na fase de execução.
O ajuste depende de avaliação individual: o acréscimo ao crime remanescente, após absorção, será definido pelo magistrado. O STF terá papel central na fixação exata das penas para cada caso, mantendo a necessidade de revisões.
Implicações para Bolsonaro e outros
Para Bolsonaro, condenado a 27 anos e 3 meses em cinco crimes, a absorção da abolição violenta pode reduzir a pena total. Cálculos divulgados indicam que ele poderia cumprir cerca de 2 anos e 4 meses em regime fechado antes de migrar de regime, caso o PL seja sancionado.
Mesmo com redução, o tempo final ainda depende de condicionantes, detração e revisões futuras pelo STF. Além dele, outros condenados do 8 de janeiro, como Alexandre Ramagem, Almir Garnier e Anderson Torres, também poderão pedir novas dosimetrias.
Alguns críticos afirmam que a mudança não concede anistia e não apaga crimes, mas reconfigura o cálculo das penas. A avaliação sobre impactos políticos diverge entre governistas, oposição e setores do STF, que devem acompanhar as revisões caso o texto vire lei.
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