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O marketing da justiça social: estratégias em debate

Entrevista analisa como o antirracismo corporativo sustenta elites, discute pré-distribuição, redistribuição e o reposicionamento de DEI/ESG no pós‑woke

Passo atrás. Para a autora, o movimento woke teve seu auge após o assassinato de George Floyd, em 2020 – Imagem: Redes Sociais e Bryan R. Smith/AFP
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  • Jennifer Pan, autora de Selling Social Justice pela Verso, vive em Los Angeles e escreve para veículos como The Nation, The Atlantic e Dissent; o livro discute como a elite dos EUA abraçou antirracismo a partir de 2020 para manter poder corporativo, promovendo políticas de diversidade, equidade e inclusão com efeitos limitados.
  • Em entrevista, a autora compara EUA e Brasil, discutindo pré-distribuição e redistribuição como caminhos para enfrentar a desigualdade e afirmando que políticas reparatórias não são suficientes.
  • O texto aborda o possível reposicionamento de marca de DEI/ESG nas empresas, com continuidade de iniciativas mesmo diante de críticas e do cenário “pós-woke”.
  • CartaCapital publicou, em 17 de dezembro de 2025, matéria relacionada ao tema; o livro de Pan é apresentado no Brasil com o título traduzido para Justiça Social à Venda.
  • Pan aponta que, nos EUA, há sub-representação de negros, mulheres e outros grupos em espaços de poder, e sustenta que políticas de reparação podem ser mais atraentes para elites do que reformas universais, em contextos de estagnação econômica.

Jennifer C. Pan, autora de Selling Social Justice, concedeu entrevista em que compara as dinâmicas entre EUA e Brasil no âmbito de políticas de diversidade e justiça social. O foco é a distribuição de oportunidades, o papel das empresas e o impacto de estratégias de DEI/ESG. A conversa aborda também o que chama de pós-woke e o reposicionamento de marcas.

A autora vive em Los Angeles e já publicou em The Nation, The Atlantic, Dissent e Damage. Em suas obras, analisa como elites resistem a reformas materiais e promovem narrativas de diversidade para manter o poder corporativo. O livro questiona se tais políticas realmente reduzem desigualdades.

Na entrevista, Pan detalha a diferença entre pré-distribuição e redistribuição, defendendo que ambas são necessárias para reduzir disparidades. Ela afirma que trabalhadores costumam apoiar medidas de melhoria de renda antes de tributar fortunas ou consumo. Também aponta que o trucate de riqueza não funcionou.

Segundo a pesquisadora, empresas costumam priorizar lucro, mesmo quando adotam políticas de antidiscriminação. Ela afirma que o discurso pode esbarrar na prática, uma vez que a agenda corporativa segue subordinada ao desempenho financeiro. Ainda assim, algumas corporações mantêm metas de DEI/ESG.

Entrevista e desdobramentos

Pan comenta o atual estágio do movimento pós-woke, indicando que o pico ocorreu entre 2020 e 2021 e que a pressão contra programas de diversidade e ESG persiste. Ela observa que, mesmo com ajustes de marca, o DEI não desapareceu, apenas ganhou novas denominações como pertencimento.

A pesquisadora critica políticas de reparação, sugerindo que benefícios pontuais podem aprofundar divisões. Defende que a esquerda priorize direitos universais e a redução da pobreza de forma ampla, independentemente de critérios de genealogia ou identidade.

A conversa também traça paralelos com o Brasil, destacando que políticas identitárias contribuíram para a guinada conservadora da classe média em momentos de crise. Pan aponta que o desafio é construir consenso em pautas materiais, mantendo o foco em reformas estruturais. Publicado na CartaCapital em 17/12/2025.

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