- Trump disse que iria participar da revisão da oferta da Netflix para comprar a Warner Bros Discovery, em meio a uma disputa com a Paramount Skydance, que fez uma oferta hostil de 108 bilhões de dólares.
- Ele chegou a dizer que não estaria envolvido, depois sugeriu que poderia participar da decisão, condicionando seu apoio à aquisição da HBO e dos ativos de streaming, desde que a empresa compradora adquirisse também os canais de televisão e fizesse mudanças na CNN.
- A Paramount, apoiada por Larry Ellison e gerida por David Ellison, tem laços próximos com o governo; há também envolvimento de Jared Kushner, segundo informações anteriores.
- Especialistas afirmam que a participação direta do governo em uma fusão tão grande é incomum e pode enfrentar obstáculos do Departamento de Justiça e de procuradores estaduais, com particular peso da Califórnia.
- As duas empresas contrataram executivos com vínculos com o governo dos Estados Unidos (Paramount com Makan Delrahim; Netflix com Virginia Boney Moore), e o desfecho pode redefinir o cenário global de mídia.
Donald Trump sinalizou que pode participar da revisão de uma das maiores operações de mídia da história, a possível fusão entre Netflix e Warner Bros Discovery (WBD). A declaração ocorreu após questionamento sobre o tema, nos EUA.
Em paralelo, a Paramount Skydance fez uma oferta hostil de cerca de 108 bilhões de dólares pela WBD, elevando o tom da disputa. A negociação envolve ativos que vão de filmes a redes de televisão, incluindo CNN.
A pauta ganha complexidade com ligações entre o círculo de Trump, incluindo empresários próximos ao governo, e figuras do setor. Dados indicam que indivíduos ligados aos Ellison, Kushner e aliados têm papel relevante na percepção de influência.
Highligths regulatórios e atores
Segundo especialistas, o processo de avaliação antitruste costuma ser conduzido pela divisão de antitruste do Departamento de Justiça, com possível participação de procuradores estaduais. O desfecho depende de uma avaliação independente das autoridades regulatórias.
Analistas insistem que a participação direta da Casa Branca não é comum em fusões desse porte, embora haja relatos de encontros entre executivos e integrantes do governo para discutir o tema. A depender do caso, decisões podem sofrer contestações judiciais.
Indícios apontam que a Paramount, apoiada por investidores próximos a Trump, pode ter vantagem no cenário, especialmente pela relação com executivos que atuam junto ao governo. A fabricante de cinema também tem reforçado sua posição com contratos e cargos estratégicos.
A Netflix, por sua vez, argumenta que a aquisição de WBD facilitaria a aprovação regulatória, destacando que a fusão poderia ter impactos na competitividade do setor. As empresas contratadoas também ajustam equipes com profissionais ligados a círculos políticos.
Aspectos adicionais da negociação
Entre as informações divulgadas, constam menções a conversas entre o fundador da Paramount Skydance e representantes do governo sobre possíveis cenários de integração de CNN com o portfólio da empresa. A CNN figuraría entre ativos de interesse estratégico para o conjunto da operação.
Representantes de órgãos regulatórios e acadêmicos observam que a concentração de ativos de streaming, cinema e televisão aumenta o escrutínio antitruste, com risco de bloqueio em nível federal ou estadual. A atualização do processo pode seguir com recomendações aos acionistas.
Conforme o andamento, a WBD afirmou que analisaria a proposta da Paramount e apresentaria recomendação aos acionistas em um prazo estimado de 10 dias, reforçando a natureza complexa da decisão. O cenário permanece em aberto.
O que se sabe até agora é que a decisão final dependerá de uma avaliação técnica robusta, com participação de múltiplos reguladores. A dinâmica entre as partes indica um processo prolongado, com possíveis contestações legais.
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