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Capital e patriarcado: o impacto do agronegócio na vida de mulheres rurais

Mais de mil quatrocentos resgates de trabalho escravo rural em dois mil e vinte e três; mulheres entre as mais vulneráveis, com jornadas de até dezoito horas e baixos salários

Feira da Reforma Agrária do MST, em Maceió (Foto: Gustavo Marinho/MST)
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  • Em mil e vinte e três, a Comissão Pastoral da Terra registrou mais de mil four cento resgates de trabalho escravo rural, com as mulheres entre as mais vulneráveis.
  • As mulheres trabalhadoras rurais enfrentam jornadas de até dezoito horas, salários baixos e ausência de direitos básicos, somadas a violência e impunidade.
  • O texto contextualiza o latifúndio, a monocultura e o agroexportador como estruturas que perpetuam exploração de classe, raça e gênero no campo.
  • Movimentos de mulheres camponesas e do campo, como MST e outras, promovem resistência, agroecologia e defesa da soberania alimentar.
  • A violência, a invisibilidade e a falta de políticas públicas agravam a situação, mas há luta por reconhecimento, autonomia e protagonismo das mulheres na zona rural.

Desde o início do século XX, o campo brasileiro convive com estruturas de exploração que impactam a vida das trabalhadoras rurais. Em 2023, a Comissão Pastoral da Terra registrou mais de 1.400 resgates de trabalho escravo rural, com as mulheres entre as mais vulneráveis. A notícia ocorre no contexto de fiscalização e denúncias em áreas agrícolas pelo país.

A configuração histórica do latifúndio, associada a monocultura e projetos agroexportadores, sustenta práticas de superexploração. A estrutura econômica privilegia o capital, enquanto a agricultura familiar enfrenta retrocessos e pressão por expansão do agroindustrial.

Dados e impactos

Trabalhadoras enfrentam jornadas de até 18 horas, somando atividades na lavoura e no lar. Salários baixos costumam ficar pela metade do ganho masculino, com carência de direitos básicos como licença-maternidade e acesso a crédito agrícola. Violência física e sexual também é reportada.

A precarização se intensifica pela intermitência do trabalho e pela falta de proteção estatal. Em lavouras de cana, laranja, eucalipto e pecuária, relatos indicam condições de risco e insalubridade, dificultando denúncias e assegurando impunidade.

Caminhos de resistência

Movimentos rurais lideram a defesa de direitos e da terra. Organizações como Movimentos de Mulheres Camponesas e redes de mulheres indígenas, quilombolas e do MST promovem cooperação, agroecologia e ações coletivas. A autonomia econômica passa pela titularidade de uso da terra.

As lutas incluem reconhecimento de mulheres assentadas como titulares principais de contratos de uso da terra, fortalecendo proteção jurídica e participação em políticas públicas. A atuação coletiva busca transformar relações de poder no campo.

Contexto histórico e futuro

História de resistência das mulheres do campo revela papel central na soberania alimentar e na preservação de sementes, biodiversidade e água. Movimentos denunciam a mercantilização da natureza e defendem reformas agrárias que assegurem direitos, acesso a crédito e educação.

Ao longo de décadas, mulheres camponesas, indígenas e quilombolas constroem uma economia solidária que busca romper a lógica de exploração do capital. A meta é ampliar condições de vida, trabalho digno e autonomia no campo.

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