- Três senadores democratas dos EUA anunciaram que investigam se grandes empresas de tecnologia repassam aumentos de custo de energia de data centers ao consumidor, enviando cartas a Google, Microsoft, Amazon, Meta e aos operadores CoreWeave, Digital Realty e Equinix.
- Os parlamentares pedem mais transparência, compartilhamento de custos e responsabilidade, citando relatos de que cargas residenciais de energia subiram devido aos data centers.
- Dados citados incluem aumentos de tarifas em regiões com intensa atividade de data centers, com elevação de até 267% nos últimos cinco anos; a Agência de Informação de Energia (Energy Information Administration) aponta alta de 7% no valor médio da conta de luz familiar nos EUA em um ano.
- As cartas solicitam informações sobre o número atual e projetado de data centers, consumo de energia, medidas para evitar repasse de custos aos consumidores e detalhes de benefícios fiscais ou incentivos recebidos de governos, além de pagamentos a lobbies e consultores.
- O prazo para resposta é 12 de janeiro de 2026; estudos citados apontam tanto custos ambientais quanto possíveis impactos na demanda de energia, com posições divergentes entre pesquisas e relatos oficiais.
Três senadores democratas anunciaram na terça-feira uma investigação sobre se grandes empresas de tecnologia repassam aos cidadãos comuns o aumento acelerado das tarifas de energia causado por data centers de alto consumo. Eles enviaram cartas aos executivos do Google, Microsoft, Amazon e Meta, além dos operadores CoreWeave, Digital Realty e Equinix, pedindo mais transparência, compartilhamento de custos e responsabilização.
O grupo afirma estar preocupado com relatos de que esses data centers elevam as faturas de energia residencial. Regiões com forte atividade de centros de dados já registraram aumentos de até 267% nos últimos cinco anos, segundo os parlamentares. A Administração de Informação de Energia, órgão federal, apontou alta de 7% na média da conta de luz de uma família nos EUA, em relação ao ano anterior, até setembro.
Os senadores destacam a necessidade de entender o número atual e projetado de data centers, o consumo de energia e as medidas tomadas para evitar que custos de eletricidade sejam repassados às contas dos consumidores. Também questionam sobre deduções fiscais, incentivos locais, além de pagamentos a lobistas e consultores ligados à construção de centros.
Solicitaram às empresas um retorno até 12 de janeiro de 2026, contendo ainda dados sobre o uso de energia e planos de expansão. Também querem esclarecer se há políticas para evitar surpresas nas tarifas por uso futuro de energia, e quais ações já foram adotadas para mitigar impactos aos consumidores.
Especialistas ressaltam que a expansão rápida da IA, associada ao uso de grandes centros de dados, eleva a demanda por infraestrutura. O Departamento de Energia estima que data centers podem responder por 12% do consumo elétrico do país até 2028. Cerca de um terço dos mais de 4 mil centros estão nos estados da Virgínia, Texas e Califórnia.
Alguns estudos, porém, questionam a relação direta entre data centers e tarifas. Uma pesquisa do Lawrence Berkeley National Laboratory sugere que centros de dados podem ter contribuído para reduzir, em média, os preços de varejo da eletricidade. Analistas destacam que as distribuidoras costumam ratear custos fixos de infraestrutura entre diversos clientes.
As cartas apontam ainda que empresas de tecnologia às vezes defendem que não querem onerar os contribuintes com data centers, mas, ao mesmo tempo, se opõem a regulações estaduais e locais. Os autores afirmam que os contratos entre centros de dados e empresas de utilities costumam ser confidenciais, dificultando a transparência sobre o porquê de as contas subirem.
Google, Amazon, CoreWeave e Equinix não responderam de imediato aos pedidos de comentário. Digital Realty informou, por meio de e-mail, que pretende colaborar com autoridades eleitas para investir na infraestrutura digital necessária para manter a liderança tecnológica dos EUA. Meta e Microsoft também não comentaram.
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