- Mais de 343 mulheres apresentaram queixa contra Brigitte Macron por suposta ofensa pública após ela chamar as manifestantes de “sales connes” em vídeo durante conversa nos bastidores do teatro Folies Bergère, em Paris.
- O vídeo foi gravado na semana passada, quando Macron acompanhava Ary Abittan, ator acusado de estupro, no show; na véspera houve protesto de feministas que gritavam o nome do artista.
- Juliette Chapelle, advogada das organizações que entraram com a queixa, disse que, como primeira-dama, as palavras dela têm peso e destacou uma possível desconexão entre discurso público e atitudes.
- A investigação sobre a denúncia de estupro contra Abittan foi encerrada em 2024 por falta de provas e a decisão foi confirmada em recurso neste ano.
- O grupo Nous Toutes e outras figuras apoiaram as militantes, e Macron afirmou a Brut que os comentários foram privados e não se arrependeu, ressaltando que, em privado, pode se expressar de forma diferente.
Brigitte Macron é alvo de uma queixa de várias organizações de mulheres por insulto público, após ter sido filmada chamando manifestantes feministas de palavras ofensivas. Mais de 300 mulheres, 343 ao todo, apresentaram a queixa nesta semana. A denúncia envolve discurso tido como desrespeitoso com movimentos que lutam por direitos das mulheres.
O caso envolve uma gravação feita na semana passada nos bastidores do show de Ary Abittan, no teatro Folies Bergère, em Paris. A Primeira-Dama acompanhava o comediante, que já enfrentou acusações de abuso sexual. Na cena, ativistas haviam interrompido a apresentação, gritando o nome do artista como alvo de protesto.
Segundo a defesa das feministas, a fala de Macron revela um descompasso entre o que ela defende publicamente e atitudes em privado. Juíza Juliette Chapelle, que representa as organizações, afirmou que as palavras da primeira-dama ganham peso institucional e que a imagem pública deve refletir o compromisso com as causas feministas.
Contexto e desdobramentos
A investigação sobre uma acusação de estupro contra Abittan foi encerrada pela Justiça em 2024 por falta de provas, com confirmação de recurso em janeiro deste ano. O grupo Nous Toutes, que integrou as manifestações, afirmou que o objetivo foi expor a impunidade associada à violência sexual na França.
Em resposta, Macron classificou as falas gravadas como comentários privados, pediu desculpas se causaram dor a vítimas, mas garantiu que não se arrepende de tudo o que disse. A primeira-dama afirmou ainda que, em privado, pode expressar-se de modo menos contido, sem a pretensão de representar o conjunto de suas posições públicas.
Reações e contexto público
Entre as organizações que ingressaram com a queixa, destacam-se Les Tricoteuses Hystériques, criada em 2024 durante um dos julgamentos de violação mais marcantes da França. A estigmatização de grupos envolvidos em debates sobre violência sexual também figura na pauta de debates públicos.
Várias celebridades apoiaram as ações das feministas por meio de menções em redes sociais, adotando a expressão contestada com o uso de hashtags. O caso suscitou discussões sobre o papel da figura presidencial e da privacidade de figuras públicas em situações de discurso privado versus público.
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