- O ex-conselheiro especial Jack Smith disse a um comitê da Câmara que a base das acusações contra Donald Trump depende inteiramente das ações do próprio presidente.
- As acusações, de 2023, envolviam retenção ilegal de documentos classificados e tentativa de reverter a derrota de 2020; os casos foram dropados após a vitória de Trump em 2024, citando política do Departamento de Justiça contra processar um presidente em exercício.
- Smith declarou que, mesmo com fatos iguais hoje, processaria um ex-presidente, independentemente de ser republicano ou democrata.
- A oitiva ocorreu após juramento de Jim Jordan, presidente do comitê; Smith pediu sessão pública, mas os republicanos consideraram o ato político e direcionado a Trump.
- Democratas disseram que a deliberação pública seria prejudicial ao presidente; divulgações de que investigadores buscaram informações de grupos conservadores e dados de oito senadores republicanos foram citadas por aliados de Trump como evidência de viés.
Smith, ex-conselheiro especial da Justiça, defendeu, diante de uma comissão da Câmara, que a fundamentação das acusações contra o ex-presidente Donald Trump está nas ações dele. A oitiva ocorreu nesta quarta-feira no Capitólio, em Washington.
A defesa sustentou que, as acusações apresentadas em 2023 envolveram o suposto armazenamento ilegal de documentos classificados e uma alegação de manipulação para reverter a derrota de 2020. As duas ações foram encerradas após Trump vencer as eleições de 2024, com o argumento de que não cabe processar um presidente em exercício.
Smith afirmou aos parlamentares que, se a mesma base fática fosse usada hoje para processar um ex-presidente, ele o faria, independentemente de o alvo ser republicano ou democrata. A declaração foi divulgada por trechos de seu discurso de abertura, conforme reportagem da Reuters.
Contexto da oitiva
O comparecimento ocorreu após o presidente da Comissão Judiciária da Câmara, o republicano Jim Jordan, ter emitido uma convocação para depoimento fechado. Smith havia requisitado uma audiência pública, o que gerou críticas de membros democratas.
Democratas disseram que o depoimento deveria ter ocorrido publicamente. A representante Jamie Raskin afirmou que uma sessão aberta seria esclarecedora para a opinião pública, ressaltando que a discussão envolve questões relevantes para a democracia.
Deputados democratas também destacaram que Smith relatou que a conduta de Trump, ao tentar reverter a eleição de 2020 e citar o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio, poderia ter efeitos graves para a democracia dos EUA. Obrigações de transparência foram apontadas como essencial para o escrutínio público.
Reação e desdobramentos
A defesa de Smith sustenta que os investigadores seguiram as normas da Justiça durante toda a apuração, sem influência política. Segundo ele, os documentos analisados eram necessários para concluir a investigação de maneira abrangente.
Entre aliados de Trump, houve forte oposição às divulgações de que autoridades buscaram dados de organizações conservadoras e, em alguns casos, chegaram a obter informações de celulares de senadores republicanos próximos ao período de 6 de janeiro.
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