- No USP Analisa #147, especialistas discutem como a presença de grupos criminosos na Amazônia aumenta a violência contra comunidades locais e indígenas.
- Mesmo com uma queda nas mortes violentas intencionais no norte em 2024, os índices continuam acima da média nacional e de outras regiões.
- Almeida afirma que, na ausência do Estado, há monopólio da violência por grupos paralelos, citando o caso do Paredão de Segurança em Manaus e mensagens de intimidação aos moradores.
- Diniz alerta que esse retrocesso pode levar à milicianização da região, um estágio difícil de reverter.
- Indígenas sofrem com políticas públicas restritas e ainda são tratados como parias; a Amazônia continua negligenciada por outras regiões, apesar de ter mais de 35 milhões de habitantes e de sua importância global.
- O USP Analisa é quinzenal, vai ao ar às quintas-feiras, às 16h40, pela Rádio USP, com produção conjunta do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto e da Rádio USP Ribeirão Preto.
No USP Analisa desta quinta, especialistas debatem a relação entre a presença de grupos criminosos e a violência em comunidades locais e indígenas da região amazônica. O programa analisa dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública sobre 2024 no norte do Brasil. A conversa envolve Eduardo Saad Diniz e Carlos Almeida Filho.
Segundo os convidados, o aumento da atuação de criminosos aumenta o risco para comunidades ribeirinhas e povos originários. O estudo aponta que, mesmo com queda nas mortes intencionais violentas no norte em 2024, os índices continuam acima da média nacional e de outras regiões.
A discussão destaca que, na ausência do Estado, certos grupos passam a monopólio da violência. Em Manaus, a implementação de uma política de segurança chamada Paredão de Segurança é citada como exemplo de atuação de facções.
Para os interlocutores, o retrocesso na segurança pode favorecer a miliciarização da região amazônica, processo visto como “estágio involutivo quase irreversível”. A preocupação envolve impactos duradouros na governança local.
Sobre as populações indígenas, Almeida ressalta que, apesar de manifestações culturais, a presença do Estado continua insuficiente para proteção de direitos. Indígenas são descritos como marginalizados, com cidadania ainda negada em parte da política pública.
Diniz aponta para a negligência regional, especialmente da Sudeste, e destaca que a Amazônia abriga mais de 35 milhões de pessoas. O pesquisador afirma que o tema envolve o futuro do planeta e exige revisão de políticas para evitar maior descompasso com o restante do país.
Contexto regional
O USP Analisa é quinzenal e veicula na Rádio USP às quintas, às 16h40. O programa apresenta um trecho do podcast homônimo e está disponível nas plataformas de podcast. A produção é conjunta entre o IEa-RP da USP e a Rádio USP Ribeirão Preto.
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