- Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, é a única mulher condenada na trama golpista, com condenação de 8 anos e 6 meses de prisão.
- O ministro Alexandre de Moraes decretou prisão domiciliar para ela e outros dez condenados, citando risco de novas fugas.
- A Procuradoria-Geral da República aponta manejo indevido das forças de segurança para dificultar a votação de eleitores nas regiões em que Lula venceu no primeiro turno.
- Após a derrota de Bolsonaro, Marília foi nomeada para a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, comandada por Torres, e foi exonerada dias após os ataques de 8 de janeiro.
- A PGR sustenta que Marília, Torres e Oliveira atuaram para a ruptura institucional; a primeira mensagem de Marília no grupo só ocorreu às 16h50, durante os ataques.
Marilia Ferreira de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, é a única mulher condenada na trama golpista que teve desdobramentos após a vitória de Lula em 2022. Nesta quinta-feira, o STF autorizou a prisão domiciliar dela e de outros nove condenados.
A condenação envolve oito anos e seis meses de prisão. Segundo a denúncia da PGR, Marilia ajudou a Polícia Rodoviária Federal a impedir votos de eleitores do Nordeste no segundo turno. Na época, ela integrava a equipe de inteligência do ministério.
O ministro Alexandre de Moraes afirmou haver risco de novas fugas, citando episódios de Ramagem e Vasques para justificar as medidas restritivas. A PGR aponta que houve manejo indevido das forças de segurança para dificultar a votação nas regiões onde Lula venceu no primeiro turno.
Condenação e função
Após a derrota de Bolsonaro, Marilia foi nomeada para a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, comandada por Anderson Torres. Dias depois dos ataques de 8 de janeiro, ela foi exonerada pelo interventor Ricardo Cappelli, mantendo o cargo de alta direção na SSP-DF até então.
A PGR sustenta que Marilia, Torres e Fernando Oliveira atuaram para a ruptura institucional. Exames de celular indicaram comportamento omissivo e colaboração com ações ligadas ao grupo que buscava manter Bolsonaro no poder.
Trajetória profissional
Marilia iniciou a carreira como assessora jurídica da PGR, entre 1999 e 2005, seguida por atuação no gabinete do subprocurador-geral. Em 2007 ingressou na Polícia Federal, ocupando postos ligados à administração e à academia de polícia.
Em 2021, foi nomeada diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça, chefiada por Anderson Torres. O cargo envolveu a elaboração de mapas de áreas com forte votação de Lula no primeiro turno de 2022.
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