- Em outubro de 2025, representantes de dezenas de países se reuniram em Cingapura para a reunião anual da Iniciativa Internacional Contra o Ransomware (CRI); pela primeira vez em cinco anos, o evento não ocorreu em Washington e a delegação norte-americana foi pouco presente.
- O chefe da Agência de Segurança Cibernética de Cingapura disse que, este ano, quase ninguém da administração dos Estados Unidos compareceu.
- A gestão Biden tentou manter liderança multilateral em cibersegurança, criando um cargo de embaixador para espaços cibernéticos e fortalecendo agências e estratégias, mas cortes no governo reduziram esse avanço.
- Analistas ouvidos disseram que a ausência dos EUA cria uma lacuna significativa na liderança global, especialmente diante de avanços tecnológicos da China.
- Mesmo com incertezas sobre a presença norte-americana, parceiros destacam que o essencial é o investimento e o fortalecimento de capacidades, independentemente do título de diplomatas cibernéticos.
Em outubro de 2025, representantes de dezenas de países se reuniram em Cingapura para a reunião anual da Iniciativa Internacional Counter Ransomware (CRI). A aliança global, criada pelos EUA em 2021, busca enfrentar ataques de ransomware e hoje reúne 74 estados e organizações.
Pela primeira vez em cinco anos, o encontro não ocorreu em Washington, e a participação norte-americana ficou claramente reduzida. Em Washington, a ausência foi ressaltada por especialistas e diplomatas que acompanharam o evento.
> David Koh, chefe da Cyber Security Agency de Singapura, disse a uma plateia em Washington, mais tarde, que “este ano quase ninguém da administração dos EUA compareceu”. A observação refletiu a mudança na presença americana no CRI.
O governo Biden inseriu a atuação multilateral em cibersegurança como prioridade de política externa, criando o primeiro embaixador para ciberespaço e presidindo um novo órgão no Portfólio de Estado para cooperação internacional em tecnologia. O país participou do CRI e apoiou compromissos contra uso indevido de spyware comercial, além de expandir a atuação da CISA. Entretanto, cortes no funcionalismo têm impactado essas iniciativas.
O impacto dessa retirada de liderança é analisado por diplomatas. Vários disseram que a ausência americana pode ampliar o espaço para rivais, em especial a China, que vem ganhando terreno tecnológico e oferecendo alternativas a países que buscam desenvolver capacidades em áreas-chave como semicondutores, IA e computação quântica.
Anne Neuberger, ex-assessora de segurança nacional dos EUA para cibersegurança, enfatizou que a participação dos EUA em políticas globais é marcada pela integração entre aplicação da lei, diplomacia, defesa cibernética e inteligência. A retirada, segundo ela, pode afetar a condução de ações conjuntas.
Ao longo de entrevistas com mais de uma dúzia de diplomatas, ficou evidente uma preocupação comum: em meio a crescentes ameaças cibernéticas, Washington parece recuar num momento crítico para a cooperação internacional. A lacuna é apontada como maior quando a gestão de 2026 ainda depende de parcerias fortes.
> Mesmo enfrentando esse desafio, alguns parceiros destacam que o essencial é que os avanços aconteçam. Para uma autoridade europeia, o fundamental é o investimento em capacidades e o que elas podem entregar, independentemente dos títulos oficiais.
Dados do CyberSeek indicam que há 74 vagas de cybersegurança para cada 100 posições preenchidas nos EUA, com mais de meio milhão de vagas abertas. Analistas citam a necessidade de ampliar a força de trabalho para sustentar estratégias nacionais de cibersegurança.
A administração de Trump divulgou uma estratégia de segurança nacional no fim de 2025, sinalizando riscos de espionagem e cibersegurança ligados à cooperação com a China na América Latina. O documento enfatizou a defesa de redes e infraestrutura críticas estadounidenses, com menos foco explícito em cooperação com aliados.
O novo diretor cibernético nomeado pelo Senado destacou que o foco está em parcerias com a indústria e na simplificação regulatória. Não foram apresentados prazos para a divulgação da estratégia de cibersegurança, que deve orientar ações contra adversários e custos de retaliação.
Diplomatas e especialistas aguardam que os Estados Unidos retomen um papel de liderança relevante, contribuindo para uma arena de cooperação mais estável. A apreciação comum é de que a continuidade do trabalho técnico é crucial, independentemente da presença diplomática formal.
Mudança de liderança nos EUA
- O tema envolve a forma como Washington coordena políticas, alianças e defesa de redes críticas.
- Observadores apontam o risco de termos menos cooperação explícita entre parceiros se a liderança diminuir.
A discussão também mantém o foco na capacidade de responder a ameaças globais de cibersegurança, com a expectativa de que novas estratégias norteiam a atuação internacional e o engajamento com aliados para enfrentar os desafios tecnológicos.
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