- Lei estadual não exige que a data da doação fornecida pelo doador esteja alinhada à data de recebimento divulgada pelo comitê, dificultando o rastreio de contribuições entre legisladores e as concessionárias DTE Energy e Consumers Energy.
- Em 2025, as datas de doação não bateram com o registro de recebimento em 89% dos casos, e cerca de 37% das doações não haviam sido relatadas pelos comitês até o último prazo de 20 outubro.
- Doações das concessionárias somaram aproximadamente $100 mil perto da votação de 5 de setembro sobre leis de captura de carbono; até meados de dezembro, quase $40 mil não tinham sido reportados.
- O atraso na divulgação reforça a falta de transparência, em meio a uma campanha de iniciativa popular para proibir doações de utilities.
- Autoridades afirmam que o descompasso não é ilegal, mas aponta falhas no registro de doações e a necessidade de ferramentas de transparência mais robustas.
O Detroit Guardian revelou um vazio nas leis de divulgação de doações: a data em que utilities fazem doações a políticos nem sempre coincide com a data de recebimento indicada pelos comitês de campanha. Em Michigan, isso dificulta rastrear se a doação influence votações envolvendo DTE Energy, Consumers Energy e legisladores.
A investigação analisou 348 doações de pacs de utilidades em 2025, até o último relatório de 20 de outubro. Em 89% dos casos, as datas de doação não bateram com as registradas como recebidas. Além disso, cerca de 37% dessas doações ainda não haviam sido reportadas pelos políticos.
O estudo aponta um pico de doações pouco antes e após a votação sobre leis de captura de carbono, quando as concessionárias apoiaram projetos desse tipo. Ao todo, houve aproximadamente US$ 100 mil em doações nesse período, mas parte não constava nos registros até meados de dezembro.
Especialistas afirmam que a ausência de correspondência dificulta a transparência, a responsabilização e a compreensão pública de como o dinheiro se move entre utilities e legisladores. A Energy and Policy Institute compilou os dados, que foram revisados pelo Guardian.
Funcionários estaduais consideram que o desalinhamento de datas não configura violação, apenas revela lacunas no processo. Autores do relatório destacam que o problema não se restringe a doações de utilities, refletindo uma prática de divulgação opaca em nível estadual.
DTE Energy e Consumers Energy são grandes geradoras de energia no estado, frequentemente alvo de críticas pela confiabilidade do serviço e pelas altas contas de energia. As doações dessas empresas são associadas ao insucesso de propostas de reforma.
A reportagem também acompanha uma iniciativa popular pioneira, que propõe banir doações políticas de utilities. Defensores afirmam que o caso reforça a necessidade de lei mais rígida para ampliar a transparência no financiamento de campanhas.
Em meio a disputas sobre planos para centros de dados e mudanças regulatórias, registros apontam doações de PACs a líderes do senado na época de votações relevantes. Alguns repórteres identificaram que doações recebidas após o prazo oficial não aparecem nos relatórios.
Autoridades do secretariado de Michigan afirmam que, quando encontrarem doações ausentes, poderão investigar. A assessoria ressalta que a discrepância de datas não é, por si só, uma infração, mas pode dificultar a compreensão pública sobre o fluxo financeiro.
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