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Caso Master: influencer revela contrato de 3 meses e R$7,8 mil por post

Influenciadores foram recrutados em dezembro para criticar o Banco Central após a liquidação do Banco Master; cachê de R$ 7,84 mil por postagem e PF investiga ação coordenada

Trecho do contrato enviado para os influenciadores — Foto: Arquivo pessoal
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  • Um criador de conteúdo de São Paulo recebeu R$ 7.840,00 em 19 de dezembro por uma postagem crítica ao Banco Central, após a liquidação do Banco Master; ele devolveu o dinheiro e não fechou o contrato.
  • Propostas de três meses, com oito vídeos por mês, foram oferecidas a influenciadores em dezembro por meio da agência GroupBR; o contrato visto pelo g1 envolve a Miranda Comunicação e a Olivetto Comunicação.
  • A Federação Brasileira de Bancos identificou uma enxurrada de ataques ao BC nas redes sociais naquela época, com indícios de ação coordenada; a Polícia Federal vai abrir investigação sobre o caso.
  • O vereador Rony Gabriel, de Erechim, também foi procurado em dezembro para defender o Master e atacar o BC; assinou contrato com cláusula de confidencialidade com multa de R$ 800 mil.
  • Julie Milk afirma ter sido abordada pela GroupBR para o mesmo tema, com contrato de pelo menos três meses e oito vídeos por mês; a GroupBR diz que foi contratada por outra agência, mas não fechou acordo.

Um criador de conteúdo de São Paulo recebeu 7.840 reais por uma única postagem em dezembro, após ser recrutado para criticar o Banco Central na esteira da liquidação do Banco Master. A proposta previa contrato de três meses com pautas críticas ao BC.

Influenciadores contatados em dezembro relataram propostas semelhantes, de três meses de duração, com oito vídeos por mês. A ação é vinculada ao contexto de ataques coordenados ao BC, identificados pela Febraban e investigados pela Polícia Federal.

A PF deve abrir um inquérito para apurar a possível ação coordenada de influenciadores pagos para defender o Master e atacar o BC, conforme apuração do g1. Os pagamentos teriam relação com agências de marketing digital.

Detalhes do contrato e das propostas

Um influencer que pediu anonimato descreve o recebimento do cachê no dia 19 de dezembro, mesma data do primeiro post, com comprovante de pagamento de Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi. O post foi apagado dois dias depois.

Segundo o relato, o criador decidiu devolver o dinheiro e recusar o restante da negociação, a partir de uma percepção de que o conteúdo havia extrapolado limites éticos. O criador afirmou que só depois entendeu que a opinião estava sendo comprada.

O documento de contrato aponta a Miranda Comunicação, representada por Thiago Miranda, como parte e a Olivetto Comunicação como parceira para encaminhar matérias, links e orientações com antecedência para produção. Não havia obrigação de apuração própria nem checagem externa.

Aspectos financeiros e cláusulas

O contrato prevê oito vídeos por mês em formato reels, com valor total de 188,1 mil reais, descontados 20% para intermediadores. A estrutura buscaria manter o tom informativo e neutro, sem ataques ou narrativa de defesa institucional. Os temas não foram detalhados.

Envolvimento de figuras públicas

O vereador Rony Gabriel, de Erechim (RS), disse ter recebido proposta em dezembro para participar de um projeto relacionado a críticas ao BC e defesa do Master. O contrato com a agência UNLTD incluía uma cláusula de confidencialidade com multa de 800 mil reais por divulgação de informações.

Relatos indicam que Gabriel assinou o acordo, porém recusou o trabalho após entender o objetivo de ataque ao BC. A multa prevista ainda não havia sido cobrada. Uma troca de mensagens de 20 de dezembro aponta negociações sobre detalhes do trabalho apenas após assinatura do acordo.

Confidencialidade e materiais usados

Entre as cláusulas do contrato com o vereador constava um prazo de confidencialidade de cinco anos. Em reunião virtual ocorrida em 28 de dezembro, representantes da agência exibiram vídeos de outros influenciadores para ilustrar formatos de conteúdo a serem seguidos.

A reportagem buscou os citados influenciadores, que negaram ou não responderam sobre recebimento de valores ou envolvimento no caso. Também houve tentativa de contato com as fontes da Miranda Comunicação e com a defesa do Banco Master.

Luminares e contatos

Julie Milk, outra influenciadora com 1,5 milhão de seguidores, informou ter sido abordada pela GroupBR para discutir um contrato de três meses, com oito vídeos mensais. Ela afirmou que só revelaria o cliente após a proposta ser aceita e que não estaria disponível para publicar conteúdos sobre o assunto.

A GroupBR disse ter sido acionada por outra agência, a Miranda Comunicação, para recrutar influenciadores, sem confirmar o fechamento de contratos. O g1 também buscou a resposta de Thiago Miranda, da Miranda, e da Olivetto, sem retorno até o fechamento desta reportagem.

Situação atual

Daniel Vorcaro e o Banco Master ainda não se posicionaram sobre o caso. A Polícia Federal deve prosseguir com apurações para esclarecer a possível coordenação de ações em redes sociais e impactos no discurso público sobre o tema.

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