- Bosnian Serbs celebraram o dia de Estado da sua região autónoma, em Banja Luka, na sexta-feira, mesmo após uma decisão do tribunal superior proibir a comemoração.
- O evento contou com cerca de 2.000 pessoas, entre policiais, veterans de guerra e civis, e desfile de forças especiais e veículos blindados, apesar do frio.
- O Tribunal Constitucional da Bósnia já declarou que o dia de Estado é ilegal, por discriminar croatas católicos e bosníacos muçulmanos.
- Milorad Dodik, líder da Sérvia República, foi destituído como presidente da região por violar decisões do tribunal e do enviado de paz internacional, mas continua a defender a separação da região.
- Dodik afirmou que, se a Sérvia República se separa, levará 49 por cento da Bósnia consigo.
Em Banja Luka, milhares de pessoas participaram de um desfile de forças especiais e veículos blindados, marcado pela oposição a uma decisão judicial. A comemoração ocorreu na sexta-feira, como parte do dia da independência da Entidade denominada Sérvia República, em meio a uma ordem constitucional que proíbe a data.
A operação contou com cerca de 2.000 integrantes entre policiais, veteranos de guerra e civis. O evento ocorreu apesar de o Tribunal Constitucional da Bósnia e Herzegovina ter considerado ilegal a data, alegando discriminação contra croatas católicos e bosníacos muçulmanos. Pacientes de frio acompanharam o desfile, com poucos espectadores presentes.
Contexto histórico e governança
O dia remete a 9 de janeiro de 1992, quando a população sérvia da Bósnia declarou independência, coincidindo com o desmembramento da antiga Iugoslávia e o início de um conflito que durou mais de três anos, resultando em centenas de milhares de mortos e deslocados. A Sérvia República, que não é reconhecida como país independente, faz parte da estrutura federativa da Bósnia, sob um governo central fraco definido pelo Acordo de Dayton de 1995, mediado pelos Estados Unidos.
Declarações e atualizações políticas
O líder da Sérvia República, Milorad Dodik, reiterou, em pronunciamento recente, o objetivo de eventual secessão da entidade em relação à Bósnia-Herzegovina. Em 2023, Dodik foi removido de função por violar decisões do Tribunal Constitucional e de um enviado de paz internacional para a região. Mesmo após a retirada de algumas leis separatistas, Dodik mantém a defesa da autonomia plena da Sérvia República. Em tom desafiador, afirmou que o processo pode envolver a divisão do país caso o movimento avançar.
Entre na conversa da comunidade