Em Alta Copa do Mundo NotíciasAcontecimentos internacionaisPessoasPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Ferrovias e reguladores impediram correções de segurança, causando mortes

Análise revela ciclo de oposição da indústria e inação federal, deixando 81 recomendações da NTSB sem implementação e mantendo risco de novos acidentes

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • Nova análise do Howard Center aponta um ciclo de oposição da indústria e inação federal que compromete melhorias de segurança em ferrovias, com mais de 3 mil acidentes e 23 mortes na última década.
  • Foram apresentadas oitenta e uma recomendações da NTSB entre 2015 e 2024; a Federal Railroad Administration implementou plenamente apenas cinco, a menor taxa entre as agências do Departamento de Transporte.
  • Acidentes envolvendo desgaste de trilhos e falhas humanas continuam causando mortes e ferimentos, com inspetores sobrecarregados e inspeções que não detectaram falhas críticas.
  • A Associação de Ferrovias Americanas e grandes operadoras pressionam por menos inspeção humana e mais inspeção automatizada; a FRA concede, em dezembro, uma waivers para reduzir inspeções visuais semanais.
  • Limites de desgaste de trilhos foram propostos desde os anos oitenta, mas não implementados; o derretimento do Empire Builder em Joplin, Montana, em 2021 é citado entre resultados trágicos de deficiências críticas.

O objetivo de uma nova análise mostra um ciclo de oposição da indústria e inação federal que impacta a segurança ferroviária. Entre 2015 e 2024, erros humanos e defeitos na linha contribuíram para mais de 3.000 acidentes, com 23 mortes e quase 1.200 feridos. Reguladores federais não implementaram a maioria das recomendações de segurança.

Estudo do Howard Center for Investigative Journalism, da Universidade de Maryland, aponta que a National Transportation Safety Board registrou 81 recomendações de 2015 a 2024 ao Federal Railroad Administration. A FRA implementou integralmente apenas 5, a menor taxa entre as agências do Departamento de Transportes.

Três avisos pendentes emergem do descarrilamento do Empire Builder em Joplin, Montana, em 2021. Um passageiro, Zach Schneider, e dois casais morreram; 49 ficaram feridos. O acidente destacou desgaste de trilhos e defeitos, atribuídos à falha na inspeção da equipe da BNSF.

A íntegra do relatório observa que a FRA não estabeleceu regras sobre substituição de trilhos nem sobre cargas de trabalho, medidas repetidamente recomendadas após acidentes anteriores pela NTSB. A FRA afirma que está adotando ações em mais de 70% das recomendações ainda em aberto.

A indústria ferroviária e grandes empresas defendem o uso de automação, especialmente em inspeções de trilhos. Em maio, a Associação dos Ferrovias Americanas pediu redução das inspeções visuais semanais, sob a alegação de maior segurança com inspeção automatizada. Em dezembro, a FRA concedeu isenção para reduzir inspeções semanais, desde que atendidos novos requisitos de segurança.

A NTSB ressalta que inspeções automatizadas devem complementar as humanas, não substituí-las, pois nenhuma técnica é 100% eficaz. Empresas como BNSF destacam que automação acelera a detecção de vazios, enquanto trabalhadores alertam para limitações tecnológicas e maior carga de trabalho para os demais.

Casos históricos, como o acidente de Macdona, Texas, em 2004, influenciam o debate. Um engenheiro com menos de duas horas de sono conduziu a colisão que liberou gás de cloro, ferindo trabalhadores e moradores. A FRA demorou décadas para regular práticas de fadiga, com planos aprovados somente neste ano.

A análise do Howard Center aponta também que, desde 1980, quando ocorreu o descarrilamento de Muldraugh, Kentucky, várias recomendações sobre desgaste de trilhos não foram implementadas. Hoje, mais de 44 pessoas morreram e 2.300 ficaram feridas em quase 15 mil acidentes de trilho relacionados a defeitos, segundo o estudo.

Grandes ferrovias, como BNSF, Norfolk Southern e Union Pacific, não contestam os resultados. Em notas, disseram estar comprometidas com a segurança, mas as disputas sobre fadiga, inspeções e regulatórias persistem, alimentando o debate sobre eficácia das reformas.

Em meio ao lobby para redução de regras, a indústria argumenta que mudanças regulatórias são necessárias para reduzir custos e aumentar eficiência, sem comprometer a segurança. Reguladores afirmam que as medidas são fundamentais para prevenir tragedias.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais