- Três membros da diretoria do Adelaide Festival resignaram neste fim de semana: Daniela Ritorto, Donny Walford e Nick Linke, após a decisão de excluir a autora Randa Abdel-Fattah do Writers’ Week de 2026.
- A saída ocorreu após mais de setenta participantes terem desistido de eventos do festival no próximo mês.
- Com a saída de Linke, resta apenas Brenton Cox entre os homens, o que pode comprometer quórum; a lei exige no mínimo dois homens e duas mulheres na diretoria.
- A diretoria não comentou publicamente desde a decisão de cancelar a participação de Abdel-Fattah, justificando que a escolha foi baseada em “estatutos anteriores” da autora e na sensibilidade cultural após o ataque em Bondi.
- Abdel-Fattah, por meio de seu escritório de advocacia, exigiu transparência sobre as declarações usadas para embasar a decisão; a advogada da equipe notificou a diretora Tracey Whiting com prazo até 14 de janeiro para apresentar os documentos.
O Adelaide Festival enfrenta uma crise de liderança após a renúncia de três membros do conselho neste fim de semana. Daniela Ritorto, Donny Walford e Nick Linke deixaram seus cargos após a decisão polêmica de excluir a escritora palestino-australiana Randa Abdel-Fattah da programação de 2026, durante a Writers Week.
A saída ocorre pouco depois da retirada de mais de 70 participantes dos eventos do festival no próximo mês. Ainda não ficou claro como o conselho pretende alcançar quórum suficiente para realizar decisões sobre o evento de 2026.
Ato de 1998 regula o Conselho da Adelaide Festival Corporation, exigindo composição mínima por gênero. Com a saída de Linke, resta apenas Brenton Cox, diretor executivo do aeroporto de Adelaide, como único homem no conselho. A lei determina no mínimo dois homens e duas mulheres.
Mudança de tema: resposta institucional e comunicação
O conselho não se pronunciou publicamente desde a cancelamento da participação de Abdel-Fattah na última quinta-feira. Em nota, disse estar comovido pelos eventos de Bondi e pela escalada de tensões comunitárias, justificando a decisão pelo potencial impacto cultural.
Segundo a organização, não houve qualquer alegação de ligação entre Abdel-Fattah ou suas obras com o ataque de Bondi, mas houve menção a declarações passadas que justificariam a decisão de cancelamento por sensibilidade cultural.
A solicitação de documentos chegou ao conselho por meio do escritório de advocacia Marque, representando Abdel-Fattah. A carta exige identificação específica de cada declaração pública utilizada pela diretoria para embasar a decisão.
A data limite para resposta foi fixada em 14 de janeiro, com pedido para manter todos os documentos relacionados. A advogada de Abdel-Fattah afirmou que a ausência de comunicação prévia configura falha processual.
Contexto adicional e próximos passos
Relatos do Guardian Australia indicam tentativas anteriores do conselho para rejeitar a participação de um colunista pró-Israel em 2024, o que gera questionamentos sobre consistência de decisões. A direção do festival não confirmou novos nomes para a Writers Week 2026.
A atual situação levantar dúvidas sobre a governança do Adelaide Festival e sobre como a organização pretende manter a programação sem ampliar tensões públicas. A comunidade cultural acompanha os desdobramentos e as etapas legais futuras.
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