- Ex-funcionários da FDA alertam que cortes na gestão de Trump e a politização da ciência podem aumentar o risco de falhas de segurança alimentar nos EUA.
- Menos de um ano após o retorno de Trump ao poder, um surto de listeriose ligado a refeições de macarrão preparado causou seis mortes e 27 casos, em dezoito estados.
- Desligamentos em massa, aposentadorias antecipadas e retrabalho são vistos como fragilizando a agência, com comparação à desmontagem de um Jenga.
- Inspeções da FDA no exterior atingiram o nível mais baixo desde 2011, e as inspeções domésticas também caíram.
- O CDC reduziu de oito para dois o número de patógenos monitorados pelo Foodnet, aumentando preocupações sobre vigilância de doenças ligadas a alimentos e recalls.
O debate sobre cortes na FDA ganhou fôlego após relatos de ex-funcionários sobre impactos na segurança alimentar. Trabalhadores atuais e antigos apontam que políticas de reduzimento de pessoal e suposta politização da ciência aumentam o risco de falhas no monitoramento de alimentos nos EUA. O alerta surge no contexto de uma crise de segurança alimentar ligada a uma contaminação de refeições prontas que resultou em seis mortes e 27 casos de intoxicação em 18 estados.
Segundo relatos, menos de um ano após a volta de Donald Trump ao poder, toneladas de funcionários da FDA foram demitidos ou saíram por aposentadoria precoce, com algumas contratações posteriores. A transformação teria reduzido a capacidade de fiscalização e de resposta rápida a incidentes de segurança, segundo ex-funcionários ouvidos pela reportagem.
Paralelamente, organizações da sociedade civil destacam a fragilidade de inspeções, especialmente em itens alimentares importados. Dados citados apontam queda histórica nas inspeções de instalações estrangeiras desde 2011, com piora também nas inspeções domiciliares. Especialistas ressaltam que esse recuo pode dificultar a identificação de riscos emergentes.
Quadro de vigilância e respostas oficiais
A divulgação aponta que o CDC reduziu de oito para dois o número de patógenos monitorados pelo programa Foodnet, em parceria com a FDA, elevando preocupações sobre a visibilidade de surtos. Em resposta, ex-funcionários destacam que a vigilância é o principal indicador de melhoria ou piora na segurança alimentar, e que a redução pode atrasar a detecção de falhas.
Alguns ex-funcionários defendem que a política de contratações e demissões prejudica a organização, com substituições por equipes menores que, segundo eles, resulta em menor capacidade de atuação. Eles citam a substituição de cargos por dois funcionários em tempo integral como exemplo de reorganização que pode comprometer a função institucional.
Reações do governo e posicionamentos
A autoridade atual da FDA, representada pelo diretor, e a chefia do Departamento de Saúde e Serviço Humanos, destacam que as operações continuam, com decisões de aplicação da lei embasadas na ciência de referência. Em nota, a pasta afirma que inspeções continuam, com compromisso de proteger a segurança e eficácia dos produtos regulados. Fontes oficiais não comentaram detalhes sobre as acusações de politicização.
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