- O lobby no Brasil cresce sem marco regulatório definido, com empresas, entidades e consultorias atuando de forma organizada e influenciando decisões no Congresso.
- O principal projeto de regulamentação existe há dezoito anos, já foi aprovado pela Câmara, mas continua parado no Senado; no interim, o setor se amplia sem regras claras.
- O Anuário Origem LATAM, que mapeia o lobby na região, aponta mais de setecentos profissionais de relações institucionais e governamentais atuando hoje.
- Ex-parlamentares, como Romero Jucá, Fernando Bezerra Coelho, Cássio Cunha Lima e Rodrigo Maia, migraram para consultorias e representam interesses de setores privados em Brasília.
- Há propostas de quarentena para ex-políticos que atuam em consultorias; a OCDE defende normas claras e, para especialistas, é preciso aumentar a transparência e a segurança jurídica.
O lobby brasileiro ganha cada vez mais espaço em Brasília, mesmo sem um marco regulatório claro. Empresas, entidades e consultorias organizadas atuam junto ao Congresso, influenciando pautas como reforma tributária e regulação da inteligência artificial. A atividade é chamada de relações institucionais e governamentais (RIG).
Apesar do crescimento, o país permanece sem lei específica para regulamentar a prática. O principal projeto sobre o tema tramita há 18 anos no Senado, apesar de ter sido aprovado pela Câmara. Enquanto isso, grupos econômicos e ex-parlamentares ampliam sua presença nas votações.
Segundo Rodrigo Navarro, coordenador do MBA de Relações Governamentais da FGV e produtor do Anuário ORIGEM LATAM, o setor reflete uma mudança cultural na relação entre Estado e mercado. O anuário, em sua sétima edição em 2025, mapeia mais de 700 profissionais atuantes na região.
Navarro afirma que parlamentares e gestores públicos dependem de informações qualificadas para subsidiar decisões técnicas. A regulamentação seria, para ele, um passo essencial para ampliar transparência e ética no setor.
A regulamentação aparece como tema central para consolidar segurança jurídica e legitimidade. Representantes de entidades de RIG defendem a necessidade de regras claras, que protejam profissionais sérios e avancem no acesso equitativo à informação.
Ex-parlamentares governam capital político na capital federal, prestando serviços de consultoria a empresas. Entre nomes de destaque estão ex-senadores e ex-deputados que atuam em Brasília após deixar a vida pública.
Casos notórios incluem figuras que estruturam consultorias de governos e setores privados, ampliando redes de relacionamento com o núcleo decisório do governo. A transição de carreira é marcada por atuação em áreas de interesse de diversos setores.
Questões éticas e de conflito de interesse passam a fazer parte do debate público. Projetos de regulamentação avaliam quarentena para políticos que deixam o mandato e passam a atuar em representação de interesses na mesma Casa.
A proposta de quarentena varia entre 12 e 24 meses, conforme o texto em discussão. Parlamentares destacam a necessidade de distância para evitar acesso privilegiado a plenário e comissões.
A OCDE recomenda normas claras para a atividade, com regras que garanta equidade e transparência. Enquanto isso não ocorre, ex-políticos atuam como consultores de grandes grupos econômicos, sem regras formais.
Especialistas divergem sobre o papel do lobby na economia. Alguns defendem que a prática facilita construção de políticas realistas e sustentáveis, desde que haja regras e fiscalização adequadas.
A indefinição normativa, aliada à evidência de influência em votações, mantém o tema na pauta pública. A discussão sobre um marco regulatório continua a avançar, com participação de autoridades, representantes setoriais e especialistas.
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