- A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação Compliance Zero, nesta quarta-feira, 14 de janeiro, sobre o Banco Master.
- Foram cumpridos mandados de busca em 42 endereços ligados a Daniel Vorcaro, fundador do banco, e parentes; Nelson Tanure e João Carlos Mansur também aparecem entre os alvos.
- O ministro Dias Toffoli autorizou o bloqueio de bens e valores que somam mais de R$ 5,7 bilhões, com ações em diversas unidades da Federação.
- O Master já foi liquidado pelo Banco Central; o banco teve ativos estimados em cerca de R$ 63 bilhões e representava 2% do tamanho do Itaú Unibanco.
- O caso envolve ligações entre Vorcaro, política e judiciário, com 1,6 milhão de investidores esperando ressarcimento de depósitos que somam cerca de R$ 41 bilhões.
As buscas da Polícia Federal em endereços ligados a Daniel Vorcaro marcaram a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta-feira (14) para investigar o Banco Master e a sua liquidação pelo Banco Central. A ação ocorreu em São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com mandados autorizados pelo STF.
A PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, visando Vorcaro, familiares e aliados. Entre os alvos estão o pai, a irmã e o cunhado de Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, bem como Nelson Tanure e João Carlos Mansur. O bloqueio de bens passa de 5,7 bilhões de reais.
A operação reapresenta a relação entre o Master, que foi liquidado, e figuras do mundo financeiro, político e jurídico. O Master já não opera como banco desde novembro, em razão da liquidação pelo BC.
Conexões políticas
Ciro Nogueira e Antonio Rueda são apontados como ponte entre Vorcaro e o cenário político, com suposta influência sobre a venda do Master ao BRB, alvo de consulta regulatória e rescaldos legais. Ibaneis Rocha, governador do Distrito Federal, também aparece como personagem relevante no contexto da negociação.
Entre as figuras mencionadas estão ex-ministros e ex-supervisores, como Ricardo Lewandowski e Guido Mantega, que teriam vínculos com o Master; Henrique Meirelles integrou um comitê consultivo, ocupando posição equivalente a conselheiro, conforme relatos da imprensa. Michel Temer também esteve na folha de pagamento do banco.
A investigação envolve ainda a possível venda de carteiras de crédito do Master ao BRB por 12,2 bilhões de reais, tema sob apuração pela PF. O caso ganhou relevância após o BC ter barrado o negócio, o que gerou reações de entidades do setor financeiro e apoio à atuação do BC.
Situação atual e próximos passos
O ministro Dias Toffoli ordenou o sigilo do inquérito no STF e transferiu a relatoria, mantendo decisões sob sua alçada. A defesa de Vorcaro afirma cooperação total com as autoridades, enquanto bancos e fundos seguem atentos ao desenrolar do caso.
Daniel Vorcaro, natural de Belo Horizonte, tem 42 anos e dirige o Banco Master desde a reformulação do banco Maxima. O foco investigativo também se volta para a atuação de figuras públicas e do ambiente jurídico em torno da instituição, sem apontar ilegalidades até o momento.
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