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Falta de dados e caos no sistema prisional fortalecem facções criminosas

CPI mostra dados fragmentados e prisões superlotadas, fortalecendo facções criminosas e ampliando o espaço do crime dentro dos presídios

Dados do sistema prisional apresentados pelo diretor de Inteligência Penal da Senappen, Antônio Glautter de Azevedo Morais, revelam ações de facções na CPI do Crime Organizado. (Foto: Infografia/Gazeta do Povo a partir de imagem de Geraldo Magela/Agência Senado)
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  • A CPI do Crime Organizado ouviu o diretor da Senappen, que aponta déficit estrutural e falta de dados unificados, deixando o sistema prisional fragmentado e com superlotação de cerca de cuarenta por cento.
  • O país tem cerca de 500 mil vagas, mas abriga aproximadamente 702 mil detentos, chegando a 942 mil com pessoas sob tornozeleira eletrônica; cerca de 90 organizações criminosas ativas, 74 delas com atuação local nas prisões.
  • O STF já reconheceu o sistema carcerário como Estado de Coisas Inconstitucional, indicando violação grave de direitos fundamentais e falha estrutural do Estado.
  • O Plano Pena Justa, lançado pelo governo e CNJ, busca padronizar dados, melhorar controle de vagas, qualificação dentro das unidades e reintegração social, mas enfrenta críticas sobre eficácia e dependência de dados.
  • Morais destacou avanços, como a Operação Mute que removeu 6.924 aparelhos, mas a CPI alertou sobre custos de bloqueadores e a necessidade de melhorar a estrutura física e a padronização de informações para ampliar o controle das facções.

A CPI do Crime Organizado iniciou, no ano passado, a verificação da crise do sistema prisional brasileiro e da influência das facções dentro dos presídios. O diretor de Inteligência Penal da Senappen, Antônio Glautter de Azevedo Morais, apresentou dados à comissão.

Ele apontou um problema estrutural: falta de conhecimento preciso do que ocorre dentro das prisões. Sem dados unificados e com estados atuando de formas diferentes, o Brasil mantém um sistema fragmentado que facilita a atuação de facções criminosas.

A superlotação é citada como fator crítico. Morais informou que o Brasil tem cerca de 500 mil vagas disponíveis, mas abriga aproximadamente 702 mil detentos. Ao incluir quem usa tornozeleira eletrônica, a área de custódia sobe para 942 mil pessoas.

Falhas de dados alimentam o problema

Morais mostrou um mapa com cerca de 90 organizações criminosas ativas no país, das quais 74 atuam localmente e nasceram dentro das cadeias. Segundo ele, muitas organizações surgiram em ambiente prisional.

A constatação está alinhada com o diagnóstico do STF, que declarou o sistema carcerário como Estado de Coisas Inconstitucional na ADPF 347. O tribunal apontou violação grave de direitos fundamentais, como integridade física, saúde e condições mínimas de sobrevivência.

O ex-ministro Luís Roberto Barroso destacou que a falta de acolhimento adequado aos detentos favorece o surgimento de facções. A avaliação sugere que onde o Estado não chega, o crime organizado ocupa espaço.

Plano Pena Justa: avanços e críticas

A partir do reconhecimento do ECI, o STF determinou ações para reverter o colapso. Em fevereiro do ano passado, o governo federal e o CNJ lançaram o Plano Pena Justa, com metas em vagas, qualificação, saída e reintegração social.

Morais afirmou que a execução do plano depende de dados integrados e de padronização de informações. A senappen ainda trabalha na estruturação dessas iniciativas, o que gerou questionamentos entre senadores sobre a falta de dados confiáveis.

O senador Sergio Moro criticou a proposta, destacando que ela pode reduzir o número de presos sem resolver o déficit de vagas. Ele citou a necessidade de exames criminológicos para avaliar a ressocialização de detentos considerados perigosos.

Controle, custos e debates na CPI

Morais descreveu o funcionamento de presídios federais como modelo de referência, com restrições como a ausência de visitas íntimas desde 2017 e o fim do contato físico com visitantes desde 2019. O objetivo é dificultar a infiltração de celulares.

A Operação Mute, citada pelo diretor, já retirou 6.924 aparelhos de unidades prisionais em todo o país. A estratégia é interromper a comunicação entre internos e o mundo externo.

Contudo, o custo de bloqueadores de sinal pode chegar a até R$ 150 mil por unidade, o que torna inviável a adoção ampla. A solução discutida envolve mais infraestrutura do que tecnologia isolada.

A CPI também criticou a carência de padronização de informações entre estados. O presidente Fabiano Contarato e o relator Alessandro Vieira destacaram que dados inconsistentes dificultam políticas penais eficazes.

A comissão busca propor reformas para enfrentar falhas estruturais, identificar responsabilidades e indicar onde o Estado perdeu terreno. O prazo para o relatório final é de 120 dias, com encaminhamentos ao Ministério da Justiça, CNJ, STF e Congresso.

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