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Por que a ICE pode agir com impunidade

Caso em Minneapolis reacende debate sobre impunidade de tiros de agentes do ICE, com autoridades federais e locais discutindo abertura de investigação

A person places a flower at the site where Renee Nicole Good was shot and killed by ICE agent Jonathan Ross during federal law enforcement operations on January 7, 2026, in Minneapolis.
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  • Nos últimos dez anos, agentes de imigração dos EUA mataram pelo menos 25 pessoas, e não houve indiciamento criminal de nenhum agente.
  • Na semana passada, Jonathan Ross atirou em Renee Nicole Good em Minneapolis, levando a questões sobre as circunstâncias do tiroteio.
  • Reconstituições de vídeos feitas por The New York Times e The Washington Post apontam possíveis contradições entre a versão oficial e o que aconteceu.
  • A defesa de defesa própria tem sido usada habitualmente para justificar tiros de agentes, e, conforme padrões, isso costuma dificultar indícios criminais contra eles.
  • Em Minnesota, a investigação conjunta com o FBI foi encerrada pela promotoria federal; o gabinete do procurador-geral do estado e o de Hennepin podem abrir apurações independentes, enquanto o governador pediu que moradores registrem evidências para futuras ações.

O registro de violência envolvendo agentes de imigração dos EUA volta a atrair atenção após o tiroteio em Minneapolis, na manhã de quarta-feira. Jonathan Ross atirou contra Renee Nicole Good, uma mãe de 37 anos, que morreu no local. A defesa apresentada pelas autoridades sustenta que o agente agiu em autodefesa.

A sequência do incidente ocorreu em poucos segundos, com gravações de diferentes ângulos surgindo após o ocorrido. Veículos em movimento, momentos de confronto e a resposta policial são objetos de investigação para entender o que aconteceu e justificar ou não a atuação do agente.

Até o momento, não houve indiciamento criminal de agentes do ICE em casos de tiroteio, segundo levantamentos apurados. A reportagem avaliou decisões, registros e entrevistas para mapear padrões que se repetem há anos no funcionamento da fiscalização.

O caso faz parte de um contexto mais amplo em que autoridades federais defendem a legalidade da força letal com base no que consideram necessidade objetiva e razoabilidade, seguindo padrões de avaliação adotados pela Justiça. A narrativa oficial difere de relatos públicos sobre o ocorrido.

Além de Minneapolis, os dados indicam que, desde 2015, dezenas de casos envolveram ações com uso de força, em que muitas vezes houve disputas sobre a presença de armas ou a natureza da ameaça. Em vários episódios, pessoas não-alvejadas estavam desarmadas, segundo análises independentes.

Na investigação em andamento, a Procuradoria Geral de Minnesota, a Procuradoria do Condado de Hennepin e o FBI participam de diferentes frentes. O FBI foi designado como único investigador na fase inicial, com a retirada do BCA de uma investigação conjunta após a decisão do Departamento de Justiça.

Os investigadores locais pediram a população que envie evidências por meio de plataformas oficiais. O procurador do condado, Mary Moriarty, informou que recebeu centenas de manifestações e que existe abertura para uma apuração independente, embora não haja confirmação formal de que será iniciada.

O governador de Minnesota, Tim Walz, enfatizou a importância de registrar e monitorar ações de agentes federais na região, recomendando que moradores usem dispositivos móveis para documentar ocorrências. A meta é criar um banco de evidências para eventual atuação judicial futura.

Perguntas sobre jurisdição e responsabilidades continuam em aberto. A Procuradoria estadual pode abrir uma apuração independente, dependendo de desenlaces no inquérito conduzido pelo FBI e pelo Ministério Público federal, conforme o andamento do caso. A decisão sobre culpa ou inocência ainda não foi tomada.

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